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Economia

Quadrilha de Hackers que invadiam contas para prestar ‘serviço’ de pagamento de IPVA é descoberta

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Seis homens foram presos na manhã dessa terça-feira 02 de julho, em Belo Horizonte e região metropolitana, suspeitos de pertencerem a uma organização criminosa que hackeava contas bancárias de desconhecidos para realizar o pagamento de boletos de taxas públicas e impostos de outras pessoas.

Os criminosos atuavam havia mais de um ano e meio, possuíam dois tipos de vítimas nos golpes e embolsaram mais de R$ 100 mil somente nos primeiros meses de atuação, segundo a Polícia Civil.

Por meio de grupos de colecionadores ou de compra e venda de veículos, os estelionatários procuravam pessoas oferecendo um desconto de 30% no valor do Imposto Sobre Propriedade de Veículos (IPVA). Para dar um ar de licitude na proposta, eles apresentavam vínculos com prefeituras por meio de funcionários públicos, que também compunham a organização.

Paralelamente à abordagem, eles enviavam e-mails para correntistas bancários se passando por instituições financeiras. Neles, solicitavam que as vítimas atualizassem os dados cadastrais.

A partir das informações fornecidas, hackeavam a conta bancária e utilizavam o saldo da vítima para pagar o boleto do IPVA prometido aos proprietários dos veículos.

Com isso, eles embolsavam 70% do valor do imposto. A Polícia Civil acredita que outros tipos de contas também tenham sido pagas com o dinheiro dos correntistas.

Pelo menos 11 pessoas contrataram os serviços de pagamento dos impostos da organização criminosa. O golpe só veio à tona quando correntistas lesados passaram a informar aos bancos a retirada de valores indevidos das contas.

Segundo a delegada Sinara Rocha, o IPVA foi a principal taxa verificada pela corporação, mas outros tipos de golpes não são descartados. “As primeiras taxas levantadas foram IPVAs, até em razão do fácil rastreamento do pagamento da conta. O pagamento é vinculado ao dono do IPVA”, explicou.

Ostentação
Ainda de acordo com a delegada, com levantamento de pagamentos em apenas três contas bancárias foi calculado um prejuízo de R$ 100 mil, mas o estilo de vida dos criminosos aponta lucros ainda maiores.

“Esse prejuízo tem que ser calculado porque é um pouco inestimável no momento. A gente acredita que esse valor tenha sido infinitamente maior em razão da qualidade de vida que eles estão ostentando. Todos têm casas de luxo que destoam em grande parte das casas vizinhas, com piscina, carros importados na garagem, caminhonetes, porshes”, contou a delegada.

Os seis presos foram detidos na operação “Tracert”, que cumpriu mandados de prisão temporária em Belo Horizonte, Sarzedo, Juatuba, Betim e Contagem.

O líder do grupo é um hacker de 32 anos. Segundo a Polícia Civil, ele foi preso em 2002 pelo mesmo crime. Ele confirmou que os e-mails eram o principal meio de violação dos dados bancários para as contas e informou que utilizava comandos de bloqueio do número IP, que permite o rastreamento. Em uma data específica, ele não efetuou o bloqueio, o que permitiu à Polícia Civil chegar ao seu endereço.

Ao lado do hacker comanda a organização o motorista de uma prefeitura da região metropolitana, de 33 anos, e outros suspeitos que afirmam ser estudantes universitários, contadores e vendedores. A Polícia Civil ainda espera prender outros membros da organização.

Todos eles vão responder por violação de dispositivo eletrônico, estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Entenda o esquema

#1 Criminosos procuravam proprietários de veículos em grupos de colecionadores ou de compra e venda de veículos.

#2 Ofereciam desconto de 30% no IPVA. Para dar um ar de licitude, apresentavam vínculo com prefeituras e funcionários de prefeituras. Servidores públicos também participavam da organização.

#3 Enviavam e-mails para correntistas aleatórios de bancos pedindo que eles atualizassem os dados bancários.

#4 Hackeavam as contas e realizavam os pagamentos dos IPVA’s prometidos às primeiras vítimas com o dinheiro desses correntistas.

#5 Os criminosos lucravam com os 70% pagos pelas vítimas que eram abordadas no primeiro momento.

Fonte: O Tempo

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