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Câmara Municipal de Nova Serrana

Osmar Santos quebra o silêncio e afirma: “Se eu for cassado vou pedir a cassação de Jadir e Euzébio”

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Na última segunda-feira, o vereador afastado pela operação Kobold, Osmar Santos (Pros), quebrou o silêncio de aproximadamente oito meses e *falou em primeira mão ao Jornal O Popular* sobre o processo e o pedido de cassação que tramita no legislativo municipal e sobre o desfecho das investigações e recursos apresentados pelos edis.

Mantendo toda sua polêmica e forma de atuar na política, identidade que ficou marcada na figura pública de Osmar Santos, o vereador afastado falou sobre os suplentes, sobre as intervenções do executivo quanto ao pedido de cassação e até mesmo trouxe mais informações sobre as investigações e o novo recurso pleiteado pelos vereadores junto a justiça de Nova serrana.

Segundo apontou Osmar se for aceito o processo de cassação contra os vereadores, por estarem sendo investigados, ele como presidente do Pros, partido que está legalizado, irá apresentar um pedido de cassação contra o prefeito Euzebio Lago e o vereador Jadir Chanel, por ambos também estarem sendo investigados.

Entenda o caso

Desde o dia 07 de maio de 2019, seis vereadores de Nova Serrana foram afastados pela Operação Kobold. Ação movida pelo Ministério Público, por meio do Gaeco, que acusou os vereadores de crimes de falsidade ideológica e peculato-desvio na Câmara Municipal.

Os vereadores afastados desde então foram proibidos de entrar em contato com os demais edis e comparecerem nas instalações do legislativo municipal para não interferirem nas investigações promovidas pela casa.

Um recurso, foi ainda, no mês de maio, protocolado pelo jurídico do vereador afastado Osmar Santos, pedido que a poucos dias foi negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, (TJMG), contudo agora com o encerramento das investigações, um novo pedido está sendo pleiteado pelos edis.

Como consequência do afastamento a Câmara Municipal passou a ser gerida com um choque de gestão, isso porque os vereadores afastados permanecem recebendo seus honorários, e com a nomeação de seis suplentes a casa passou a contar com 19 vereadores recebendo mensalmente seus salários.

Diante destes fatos, um deputado estadual veio a Nova Serrana e endossou o coro por pedido de solução quanto ao fim do pagamento dos salários dos vereadores afastados, contudo após quase oito meses de silêncio o presidente afastados Osmar Santos, se pronunciou oficialmente sobre toda a situação política e investigações em torno de sua gestão como vereador e presidente.

Confira a entrevista em primeira mão, dada pelo vereador Osmar Santos para a reportagem do Jornal O Popular.

JORNAL O POPULAR (OP) – Osmar, depois de quase oito meses longe das mídias e das redes sociais, porque você decidiu nesse momento se manifestar oficialmente?

OSMAR SANTOS (OS) – Porque no período da investigação achei melhor a gente ficar afastado para que fosse feita uma investigação isenta. Até mesmo um comentário da gente poderia atrapalhar as investigações e a gente não quis entrar nesse mérito para que fosse uma investigação realmente isenta de qualquer coisa.

(OP) – Durante todo esse tempo como você viu as investigações e tudo que foi divulgado na imprensa?

 (OS) – É constrangedor, mas ao mesmo tempo para mim hoje é bom. Vou falar de mim, minha vida foi virada do avesso com investigação do MP, Gaeco, Polícia Civil, Militar, foi tudo virado do avesso. Diante de tudo até então quanto a denúncia que foi feita a respeito de minha pessoa, foi até pequeno diante da investigação e seu tamanho. Eu tinha certeza que não iriam encontrar ato ilícito porque isso não é do meu feitio. Pra mim foi bom porque se tinha alguém que tinha dúvida sobre minha idoneidade isso foi respondido de forma clara.

(OP) – Como o que, por exemplo, pode embasar essa colocação sua?

(OS) – Chegou até mim, por exemplo, um laudo do grampo telefônico, essa que é uma das formas mais claras e eficientes para constatar irregularidades. No laudo foi comprovado que realmente não houve nenhum ato ilícito no meu aparelho telefônico e nos computadores, eu sabia que não seria encontrado nada, mas isso foi bom para tirar as dúvidas daquelas pessoas que questionavam.

(OP) – você entrou com um recurso no TJMG que foi negado recentemente. A decisão para você foi frustrante?

(OS) – A gente tem pouco conhecimento na área jurídica, eu achei que o recurso julgava o mérito de hoje, mas não. Quando entrou com o recurso há mais de cinco meses atrás a situação era outra. No recurso inicial o advogado contestou a decisão da juíza em pedir nosso afastamento, até eu hoje acho isso correto, hoje, no entanto estamos entrando com novos recursos nessa segunda-feira, na comarca de Nova Serrana e se precisar vamos novamente ao TJMG.

(OP) – Esse novo recurso o pedido é diferente?

(OS) – Estamos entrando com recursos com atos novos, fomos afastados por dois fatos: para não atrapalhar a investigação e pra não continuar a pratica do assessor não cumprir o horário na câmara, nesse segundo eu não me encaixo porque meu assessor já havia dois meses que tinha sido exonerado. Voltando a questão do recurso, se o motivo do afastamento era a investigação, não entendo o porquê ainda estamos afastados, então acreditamos que nesses novos dois recursos a justiça será favorável.

(OP) – Nesse período como foi para você acompanhar a distância os trabalhos do legislativo?

(OS) – A gente sabe muito pouco sobre a Câmara, porque tínhamos a obrigação de cumprir a medida cautelar, mas eu acho que os vereadores suplentes estão desempenhando seu papel, até porque não tem a certeza se ficam ou não, mas até o momento o trabalho deles está bom.

(OP) – E sobre a questão do deputado estadual Cleitinho ter vindo a Nova Serrana cobrar uma solução sobre o pagamento dos salários dos vereadores afastados?

(OS) – O Cleitinho é um político que eu admiro muito, mas ele foi mal informado, por se tratar de um deputado ele deveria se posicionar e ser melhor informado. Nos áudios ele fala sobre cassação. A cassação é um ato político e o Cleitinho não faz parte do grupo politico de Nova Serrana, a interferência dele não é bem vinda nesse sentido.

(OP) – E quanto ao posicionamento do vereador Zé Faquinha; qual o seu entendimento sobre isso?

(OS) – O vereador quer uma vaga a qualquer custo, o que ele não conseguiu nas urnas ele quer agora, para ser correto não podemos perder um direito que foi dado pela população somente porque nós fomos afastados, ninguém pode pagar por algo que não foi condenado. É completamente incoerente alguém legislar em causa própria, nem eu nem a justiça entende que deve se legislar em causa própria. Eleição se ganha nas ruas e nas urnas e o vereador vem tentando há vários anos e não tem conseguido.

(OP) – Quanto a cassação, qual a sua opinião sobre os fatos e o pedido que foi protocolado pelo prefeito como presidente do MDB?

(OS) – O prefeito fala a vida inteira que não tem interferência dele na Câmara Municipal, isso deixou claro que há interesse grande dele para que a gente seja cassado. Já quanto ao Chanel ele não sabe nada. É difícil falar dele, ele saiu com essa bobagem nas ruas, se tem que cassar quem está sendo investigado ele também tem que ser cassado. Se estar sendo investigado é motivo de cassação vamos pedir também a do prefeito porque ele também está sendo investigado. Todo culpado tem que pagar por seus atos, mas tem que ser condenado. O ato deles é publicamente político, e eu fico triste ainda por ver a câmara voltando a ser uma secretária do executivo, nós buscamos a independência daquela casa.

(OP) – Você disse que o prefeito está sendo investigado, qual seria o motivo?

(OS) – Se é para cassar investigado, o prefeito também tem que ser cassado, eu mesmo denunciei o prefeito por uma venda de lotes no bairro José Silva de Almeida, outras denúncias foram feitas por outros vereadores. Várias outas investigações principalmente na área da saúde são feitas contra o prefeito, então se investigado deve ser cassado, ele também tem que ser cassado.

(OP) – Mas sendo um ato político alguém teria que entrar com esse pedido, não?

(OS) – Eu como presidente do Pros, vou também protocolar um pedido de cassação contra o Jadir e o Prefeito se formos cassados. Isso porque se um investigado deve ser cassado, eles também têm que ser cassados. Se isso acontecer ai vamos ver se os suplentes querem a nossa vaga ou o correto para a cidade, porque se for, eles também votam pela cassação do prefeito. Não acho que as coisas devem ser assim, que uma simples investigação deva levar alguém a cassação, mas se funcionar assim para nós também deve ser assim para eles.

(OP) – Quanto à cassação de vocês, isso te preocupa?

(OS) – Nessa medida cautelar fomos proibidos de comparecer a câmara, em um processo de cassação como vamos fazer nossa defesa? Como seremos entrevistados e vamos debater com os vereadores se somos proibidos? Isso é uma coisa muito sem lógica. Mas eu estou apresentando esse novo recurso e acredito que os outros vereadores também estão entrando com esse processo.

(OP) – Sobre as acusações pelas quais você foi acusado, o que você tem a considerar?

(OS) – Eu gostaria de fazer uma pequena consideração, eu fui denunciado por peculato-desvio e falsidade ideológica, eu vou poder provar isso agora, vou poder apresentar as contraprovas, que ainda não foram apresentadas porque como a própria promotora apontou ainda não era a hora de apresentar a defesa, porque primeiramente seria feita a investigação e apresentação da denúncia. Eu tenho mais de mil paginas para mostrar que meu assessor trabalhou. O trabalho dele não era de gabinete, ele era um especialista nas redes sociais, imprimimos mais de mil paginas e vamos mostrar isso.

(OP) – Para encerrar Osmar sobre toda essa situação que vem sendo vivenciada, você deseja fazer alguma consideração?

(OS) – Eu quero aqui deixar registrado no jornal O Popular que qualquer pessoa que consiga provar que eu tirei dos cofres da Câmara que seja cinco reais, não precisa de me cassar, eu peço a exoneração do meu cargo. Eu não entrei ali para ganhar dinheiro ilícito, eu entrei para ajudar a dar pão para quem tem fome, roupa para quem tem frio, para ajudar o desabrigado e desamparado, é por isso que fui eleito e ocupo um cargo. O poder público sempre priva as pessoas mais simples de seus direitos concedidos pela constituição e eu fui eleito para esse trabalho, para lutar por esse direito, então se encontrarem e provarem que eu tirei cinco reais dos cofres públicos eu mesmo peço exoneração do meu cargo.

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