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Oposição? O que isso significa?

Léo Junqueira

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Para quem não sabe, o conceito de esquerda e direita nasceu durante a Revolução Francesa, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos acabaram de forma violenta e radical. Como nos dias de hoje, a esquerda e a direita se digladiavam, mas o ponto comum entre os lados divergentes é que todos reconheciam a incompetência do governante francês da época.

A divisão era simples: quem concordava ficava à direita e quem discordava ocupava o espaço à esquerda no salão. Sendo assim, a origem da expressão “fulano é de esquerda” era uma questão de distribuição no espaço. Mas, o que isso tem a ver com o assunto da coluna de hoje?

Quero falar sobre “situação e oposição” no jogo da vida e da política em todos os níveis. Há mais de 200 anos atrás o radicalismo não cedia espaços para se fazer oposição às imposições. Isso significa que até os dias de hoje ninguém sabe fazer oposição ou defender a situação e não é difícil entender.

Quando digo ao leitor “leia minha coluna”, qual seria a oposição ao meu pedido?

Se você disser que é “não leia minha coluna” você está redondamente enganado. “Não leia” é tão impositivo quanto “leia” e isso é apenas uma questão de em qual lado você está. Desta forma estamos vivendo a ignorância do entendimento e das formas de tratamento no nosso cotidiano.

Trazendo essa questão para Nova Serrana fica mais fácil (e nada divertido) assistir nossos representantes fomentando um engano tão grotesco. Nosso prefeito vem mostrando seu lado impositivo em várias situações, como regulamentações para ambulantes, distribuição de picolés, sonegar informações que são públicas, determinar regras e acusar seus adversários por todo tipo de dificuldade.

O mais estranho em tudo isso é, que os adversários se denominam “opositores” do atual prefeito, quando na verdade não passam de adversários de ideias e atitudes. Oposição é coisa diferente e merece mais conhecimento.

Se o prefeito manda distribuir picolés ele pode estar sendo impositivo, mas os adversários e insatisfeitos dizerem para “não distribuir picolés” é tão impositivo quanto a primeira ordem.

Mas então, como funciona a oposição?

Sem querer ensinar o Pai Nosso ao vigário, acho que fazer oposição seria perguntar “por que” serão distribuídos picolés? Com a resposta todos os argumentos podem aparecer de forma clara a ser discutida, como por exemplo, “não será um gasto desnecessário? Existe outra alternativa? O que podemos fazer melhor, que distribuir picolés? Qual é a explicação para esse gasto?”

Fazer oposição é discutir uma escolha ou decisão, é tentar construir e melhorar os efeitos e resultados em benefício da população. Definitivamente fazer oposição não é ser contrário simplesmente, porque seu grupo político ou seu gosto pessoal são diferentes.

Assim como na Revolução Francesa, a falta de compreensão sobre o significado da verdadeira oposição nos leva ao radicalismo, seja ele de direita ou de esquerda e chegaremos ao estágio da intolerância e até conflitos violentos.

Tenho um grande amigo muito simpático às causas esquerdistas. Eu, também, sou a favor de várias delas, mas, ao não concordar com todas as suas colocações, imediatamente sou criticado pelo uso do meu legitimo direito de pensar, avaliar e escolher no que acredito.

Da mesma forma tenho outro amigo, que adora ouvir nosso presidente falar de forma escrachada, fazer “arminha” e me condena por não gostar do circo formado à sua volta.

Na verdade, sou agradecido aos dois por me ensinarem que posso estar mais perto do que é certo. Por isso, entre Gerondinos e Jacobinos prefiro ficar com os “Pântanos”, bem ao centro das discussões, onde talvez estejam as respostas para a esquerda e a direita construírem uma opinião sólida e consistente.

Quanto aos dois amigos, agradeço ao Sérgio Gadelha e Huascar Terra do Vale, meus divertidos professores.

LEONARDO VELOSO JUNQUEIRA é daqueles publicitários da época romântica, quando a comunicação ainda era feita com base no talento criativo. Foi sócio fundador da Insight Comunicação durante 22 anos prestando serviços de comunicação e marketing a grandes empresas, como Pastifício Santa Amália, Riclan (fabricante do Pircóptero e drops Freegell’s), Cera Inglesa, Calçados Jacob (Kildere), Café Brasil, Balas Santa Rita entre outras grandes empresas que fizeram histórias de sucesso. Trabalhou em grandes agências de publicidade em Minas e na área política, como publicitário, assessorou as prefeituras de Uberlândia, Varginha e Divinópolis além de desenvolver e coordenar inúmeras campanhas políticas, das quais destacamos a eleição de Zaire Rezende (Uberlândia), Maurinho Teixeira (Varginha), Paulo Tadeu (Poços de Caldas), Galileu Teixeira (Divinópolis), Paulo César (Nova Serrana), Toninho André (São Gonçalo do Pará) além de vários deputados estaduais e federais. Léo Junqueira é consultor de marketing, compositor, violeiro, escritor e colunista do Jornal O Popular

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