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A razão liberta, o fanatismo não!

Willian Barcelos

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Apertem os cintos, pois o Brasil está mudando. Não pela vontade de quem está em baixo ou por cima, mas pelas circunstâncias de um momento em que todo pecado será castigado.

Castigo rápido, mas indolor para quem reconhece a prevalência da verdade e a transitoriedade da opinião alheia. Castigo que vem pelas redes, e ao mesmo tempo, avassalador e passageiro. O atual contexto traz a lição que é preciso reconhecer os erros, levantar a cabeça e seguir em frente.

Com bons olhos vi o anúncio do governador Romeu Zema, que assumiu ter prometido bem mais que poderia cumprir. Não perdeu pontos comigo e nem com ninguém. Afinal, a afirmação já era de conhecimento geral. Bastaria que o gestor reconhecesse o próprio erro, que abrir-se-ia o espaço ao perdão. Não porque as cobranças ficarão de lado. Elas continuarão a existir. Mas provavelmente serão retomadas somente na próxima eleição.

Salta à cabeça, a célebre frase de Juscelino Kubitscheck: “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”. Afinal, que mal existe em reconhecer o erro? Tentar consertá-lo é melhor que manter a eloquência de um ser perfeito. A arrogância e a intolerância ao erro revelam o quanto estamos despreparados para a vida em sociedade, e muito menos para o poder.

Acredite! Não é fácil administrar ou viver em uma sociedade que nos julga a todo momento, seja pelas boas ou más ações. E quem acha o contrário, melhor não se aventurar na seara política. Pois de lado a lado, haverá olhos atentos, sempre apostos e dispostos a emitir o seu juízo de valor.

As virtudes serão repassadas a alguns amigos ou conhecidos, enquanto que as tragédias ganharão alcance, sendo lançadas como se fossem o apocalipse.

Para suportar a pressão da vida pública é preciso ter equilíbrio. Entender que a verdade sempre prevalecerá, ainda que demore um tempo a mais. E teremos quem a perceberá, mas que não dará a mão à palmatória.

Como disse, tem gente que não aceita o próprio erro, incluindo-se nesta pauta, o erro de julgamento em relação ao outro. Neste aspecto defendo o reconhecimento dos erros de atitude, visto que os erros de omissão são quase imperdoáveis. Exceto quando há a certeza que os fins são extremamente vantajosos em relação aos meios.

E todo dia a gente acorda com uma nova lição. Heráclito, um dos filósofos pré-socráticos mais influentes afirmava que ninguém toma banho no mesmo rio duas vezes. E advinha de onde vem o melhor aprendizado? Do erro, seja próprio ou alheio. Eis o fruto da experiência.

Aquela que não advém dos livros, mas da vida cotidiana, da sucessão dos dias, dos olhos atentos e conscientes. A fragilidade humana está na cobrança exacerbada de si mesmo. Na intolerância ao erro. No frequente exercício de terceirizar a culpa ou creditá-la a alguém que não seja eu.

Vislumbro que a mensagem tenha efeito positivo na consciência de todos, que imbuídos da razão, consigam compreender a sua essência. Reconheço que as palavras têm o poder de emancipar os homens em seus pensamentos, da mesma forma que podem destruir a sua capacidade de raciocinar, se utilizadas em espaços propícios ao fanatismo, seja religioso ou político.

WILLIAN FERREIRA CARLOS BARCELOS é professor e agente político. Licenciado em História, especialista em Administração Pública, Docência do Ensino Superior, Gestão de Recursos Humanos e Meio Ambiente, mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais.

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