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Editorial - Opinião sem medo!

O sistema só continua podre enquanto a sociedade se acostuma com o cheiro

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A decadência não acontece de um dia para o outro. Ela se instala aos poucos, normalizada pelo silêncio, pela repetição e pela conveniência. O sistema apodrece quando a indignação vira rotina, quando o escândalo vira nota de rodapé e quando o absurdo deixa de causar espanto.

Não se trata apenas de corrupção explícita, mas de uma engrenagem inteira movida por privilégios, omissões e desigualdades. Um sistema que exige sacrifícios da maioria enquanto protege uma minoria blindada. Que cobra eficiência do cidadão comum, mas oferece impunidade aos que operam acima da lei. Que fala em ordem, mas vive do caos seletivo.

O cheiro é forte: está nas instituições desacreditadas, nas promessas recicladas, nas obras inacabadas, nos serviços públicos que falham, nas estradas que matam, nas decisões que nunca chegam a lugar algum. Está na burocracia que trava direitos e acelera favores. Está no discurso bonito que não se converte em ação.

Quando a sociedade se acostuma, o sistema agradece. Porque a acomodação é sua maior aliada. A indignação passageira não ameaça estruturas; o esquecimento, sim, sustenta privilégios. O sistema só teme a memória, a vigilância permanente e a cobrança contínua.

Romper com o cheiro exige mais do que protestos ocasionais. Exige participação, informação, responsabilidade coletiva e coragem para confrontar interesses estabelecidos. Exige recusar a normalização do inaceitável.

Enquanto a sociedade aceitar respirar fundo e seguir em frente, o sistema continuará podre. A mudança começa quando o cheiro deixa de ser tolerável.

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