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Editorial

O que falta é coerência e propriedade!

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Afinal quais são os limites do que é permitido, do que é prazeroso, do que é divertido para o que é agressivo, ostensivo e impróprio?

Essa pergunta tem feito parte de uma série de reflexões que nossa equipe de jornalismo tem se feito durante os últimos dias, mais especificamente, durante os fatos que tem acontecido recentemente em solos russo e brasileiro durante a Copa do Mundo de Futebol.

O que temos visto nestes dias é uma enxurrada de comentários preconceituosos e também boçais, pontuando questões que são vistas em conceitos e culturas diferentes de forma completamente incoerente.

Sinceramente se você frequenta ou já esteve em alguma festa onde é tocado o som que faz os brasileiros irem ao delírio, descendo até o chão, você com certeza se depara com letras musicais que acreditem fazem parte das manifestações culturais nacionais.

“Olha pro meu zíper, vem botar essa bunda aqui; Tô hipnotizado pelo jeito que você rebola; Não posso negar que quero te ver pelada; Anitta, gata, quero te pegar; Posso dar pra você, será que você aguenta?”

Essa é apenas uma das músicas em que em nossa cultura tratamos a mulher como objeto, e se o que foi dito acima é pouco veja este trecho de uma música de funk que pode ser ouvida com frequência em shows nos mais diversos pontos de nosso país.

“Cheguei no baile embrazando avistei a mina loca; Ela veio rebolando, se jogando toda solta; Sussurrei no ouvidinho ela foi se derretendo; Falei vamo la pro beco que eu sei que tu tá querendo; O dj solta o grave e ela destrava na pose; Quer sentar na minha pi.., e depois tomar um doce; Tu quer pi.., tu quer r.. então vem cair de boca; Tu quer pi.., tu quer r.., da a pe… e fica louca”.

Essa obra da cultura popular nacional reflete um pouco do que é propagado de forma aceitiva em festas e eventos, e quando se tem um grupo de brasileiros fazendo piadinhas indecentes com mulheres russas nossa sociedade se espanta e de forma boçal cria alarde.

É importante ressaltar que não defendemos os infelizes que abusaram da mulher russa, mas afirmamos que, a conduta dos brasileiros foi apenas a reprodução clara de uma conduta cultural vivenciada em nosso país.

Pensando que isso pode ser uma ação agressiva, quando se vai a um baile ou ouve nas festas promovidas pelos produtores de eventos, onde os cantores de funk são contratados e colocados como atração a peso de ouro, se percebe que as mulheres ali presentes entendem com a maior naturalidade e aceitação a forma como são chamadas e tratadas nesses eventos.

Para endossar esse pensamento, basta avaliar a forma como foi amplamente divulgado nas redes sociais a participação de uma mulher russa em um programa de TV matinal, onde comentários sobre a possibilidade da mulher usar ou não roupas intimas, tomou à frente quanto a sua participação no programa.

Os posicionamentos são levados para além das linhas sobre questionamentos feministas e agressivos à índole das mulheres, uma vez que, após se questionar a falta de negros como treinadores de futebol na copa, imediatamente grupos de brancos começam a questionar o fato do treinador ser um “coitado”, recebendo um salário de U$$ 200 mil.

A questão para aqueles que comentaram sem propriedade, pois não são e nunca vão entender o que um negro vivencia pessoalmente na pele, não é o fato de ser um coitado, mas sim o fato de que os negros não têm as mesmas oportunidades em meio a uma sociedade que prefere dar desculpas a avaliar um problema ou uma falha de forma madura e imparcial.

Brancos dos olhos claros falando de negros, pessoas que curtem funk nas baladas falando da violência dos brasileiros contra uma Russa, é algo que no mínimo temos que entender como equivocado ou incoerente.

Incoerente porque em nossa cultura praticamente tudo é permitido, inclusive é permitido se falar o que quer nas redes sociais. E para provar isso é claro, esse editorial será alvo de inúmeras criticas, em sua maioria de pessoas que vão se sentir incompreendidas, ou até mesmo por aqueles que entendem que seu ponto de vista é uma verdade absoluta, ainda que em momento algum tenham vivenciado na pele algum dos problemas colocados em debate.

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