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Editorial

Bandido bom é bandido morto?

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“Bandido bom é bandido morto!” Essa afirmativa tem sido amplamente dita por parte da população que se entende como cidadãos de bens em uma sociedade que os padrões são ditados por costumes e uma cultura de castas.

Sim no Brasil vivenciamos uma cultura de castas, não semelhante a encontrada em países como a índia mas se olharmos por exemplo para o sistema penal vamos perceber que no Brasil sim o mais pobre é uma vitima social, no que tange não somente as oportunidades e estudo, mas também a justiça.

Labelling Approach, é um termo, uma filosofia, um pensamento utilizado como teoria quanto a justiça e criminalidade que pontua primeiramente o fato oculto. Ele distingue e constata que há muito mais condutas praticadas contra o direito criminal do que o sistema penal tem condições de investigar e processar.

Isso significa que muitos cometem crimes, mas apenas alguns serão ditos criminosos (ninguém é criminoso até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, lembra?).

A segunda: há, mesmo proporcionalmente, muito mais pobres nas cadeias do que membros de outras classes. Isso é um fato e quando se olha para a nossa capa dessa edição se percebe que o colapso do sistema prisional é presente em todas as cidades brasileiras.

É incômodo, mas sim temos que olhar para o problema, não podemos fingir que essa doença não existe, e simplesmente medicar criando mais unidades penais não mudará o sistema, que é sim tão injusto quanto eficiente “para os menos favorecidos”.

Se olharmos para nossa cidade vamos perceber que existem por ai pessoas que praticam crimes, que utilizam de práticas nocivas à sociedade, que roubam “sonegando por exemplo”, mas isso não incide em cadeia.

Mas o caso aqui não é bem esse, a situação que queremos atentar está relacionado ao fato de que políticas públicas eficientes quanto a socialização e oportunidades de desenvolvimento das classes marginalizadas não são eficientes, em nossa cidade principalmente.

Quando olhamos os boletins criminais, que inclusive tem sido encaminhados à imprensa de forma cada vez seletiva, pois inúmeros crimes não são repassados. Vamos perceber que a maior incidência dos crimes hoje acontecem com menores infratores, acontecem com pessoas que tomam o caminho errado, mas nada, ou para não ser injusto, muito pouco tem sido feito para que dentro dessa sociedade oportunidades diferentes sejam oferecidas.

O criminoso tem sua culpa por optar em cometer o crime e ir pelo caminho mais fácil, mas a sociedade tem sua culpa, os lideres, políticos, governo, os mais afortunados tem sua culpa por fechar seus olhos para políticas e ações eficientes.

Na gestão do novo tempo, não podemos negar uma coisa, o prefeito é muito bom em copiar boas ideias! Aqui caro leitor, não estamos sendo críticos, afinal é positivo que ele copie bons exemplos de gestão e promova resolutividade na saúde por exemplo, que é sem sombra de dúvidas uma das áreas mais carentes do país.

Agora é hora do prefeito e seus secretários, não os que andam fardados gritando com populares que estão sendo retirados de áreas invadidas, afirmando que se não calarem vão parar na cadeia. A esses inclusive é bom lembrar que autoridade e respeito é algo que se conquista e não se impõe.

Gostaríamos de indicar ao prefeito que desse uma volta por algumas cidades brasileiras mesmo, onde o índice de criminalidade é baixo, e assim quem sabe ele possa identificar o que tem acontecido de positivo e assim implante ações semelhantes por aqui. E nem precisa ir longe, segundo a revista Exame, Nova Lima foi a oitava cidade com menores índices de criminalidade do Brasil em 2017.

Se políticas públicas eficientes forem praticadas, e aqui entendemos que a culpa não é do Euzébio, mas se alguém tem o poder de iniciar essa mudança, o dono da bola é o cara que pode dar o pontapé inicial.

Quando pensamos em diminuir a lotação dos presídios a forma mais adequada de fazermos isso não é incentivando e torcendo pela morte dos criminosos, por mais cômodo e eficiente que isso pareça, mas sim temos que nos atentar, abrir os olhos e começar a trabalhar efetivamente para que o mal seja tratado pela raiz, e assim em vez de termos mais bandidos vindo das classes mais baixas como dizem os dados, teremos mais médicos, professores, advogados, pais de família, cidadãos de bem sendo formados em nossa sociedade.

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