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O principal álibi dos Bolsonaro no caso da rachadinha é o cinismo

Mauro Soares

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O Brasil que há muito se perguntava sobre o paradeiro do Queiroz – “aquele”, amicíssimo da família Bolsonaro – obteve resposta essa semana; Queiroz se achegava na casa de um amigo, na belíssima e aconchegante Atibaia, estância climática no interior de São Paulo; terra de um badalado sitio, pivô da implosão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

A prisão de Queiroz, deixou seu camarada – o advogado Frederick Wassef, ou simplesmente Fred, como o agora ex-advogado dos Bolsonaro é chamado na intimidade do Alvorada – numa situação delicada, mais próximo da condição de investigado do que propriamente de defensor.

A troca do paladino tornou-se inevitável. Wassef ainda não explicou como Queiroz foi parar no seu imóvel – ou pelo menos não foi convincente o bastante – um simulacro de escritório. Mas, demonstrando lealdade, ele absorveu a encrenca como sua. Assumiu toda culpabilidade pela insensatez, ainda pendente de razoabilidade.

A coreografia executada na troca do defensor de Flávio Bolsonaro evidencia as desventuras do clã presidencial. Por ora, o principal álibi dos Bolsonaro no caso da rachadinha é o cinismo. A exemplo de Lula, que “não sabia” da existência do mensalão; ou da ex-presidenta, que também chefiou a Casa Civil Dilma Rousseff, que “inimaginava”como o PT e seus aliados plantavam bananeira dentro dos cofres da Petrobras; Flávio e Jair Bolsonaro, juram desconhecer as estripulias financeiras de Fabrício Queiroz, também “nem sonhavam” que o faz-tudo estava guardado num arremedo de escritório que o advogado da família, Frederick Wassef, mantinha em Atibaia.

Para a compreensão do que está por trás do caso da rachadinha – um dos pecados do 01 – é preciso nos atentarmos ao silêncio. Muitas vezes, em meio a grandes barulhos, o silêncio ajuda a decifrar a falta de argumento de certos personagens.

A fuga de Márcia Oliveira Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz e personagem chave desse malfadado enredo, por ser uma espécie de operadora do operador – razão do seu pedido de prisão – visto que mantinha uma contabilidade num caderninho apreendido pela polícia, constando o recebimento de R$ 170 mil para custear o tratamento de saúde do marido; pagou em dinheiro vivo os exames, a equipe médica e a internação no hospital Albert Einstein, custos substanciais; seu sumiço tem íntima relação, com o silêncio de Jair Bolsonaro.

O presidente hesita ao falar em público sobre a investigação que enferruja a biografia do seu filho, Flávio Bolsonaro.

No elucidar dos escândalos, o “eu não sabia” passará à história como uma espécie de código da desfaçatez. Sempre que a expressão é mencionada, a desventurada plateia tem a percepção de que seus gestores que outrora se apresentavam como exemplos de retidão, podem para ser vistos como cegos abobalhados, incapazes de enxergar o que acontece ao seu redor, ou sendo mais plausível, como ardilosos afanadores da boa fé alheia.

Caberá à história, assim como nos fatídicos escândalos envolvendo Lula e Dilma, o veredicto; que nossa Pátria mãe gentil suplante o quanto antes, mais esse dissabor; damos graças por nossas gentes serem movidas por uma infindável esperança.

Abençoada semana, Graça e Paz

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MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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