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O misterioso destino de Fábio Avelar

Osvaldo de Évora

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Se o cenário político de Nova Serrana se assemelha aos filmes “western spaghetti”, gênero criado na Itália na década de 60 que tinha como característica um nível de violência maior do que os faroestes americanos da época, a espera pela decisão final do “Quarto Elemento”, alcunha dada a Fábio Avelar por Leonardo Junqueira, colunista deste Popular e do qual sou leitor assíduo, está mais para um thriller de suspense cujas revelações finais vêem à tona quase no apagar das luzes do cinema. O mistério e a tensão pairam sob o espectador até o final.

Isso me levou a uma reflexão sobre o instigante e ensurdecedor silêncio que orbita o deputado estadual Fábio Avelar, que ainda não decidiu se vai se candidatar a prefeito, se vai subir no palanque de alguém, ou se ficará em cima do muro.

Sou um apreciador das discussões político partidárias dos botequins, que traduzem os anseios populares e exploram as percepções sobre os políticos de maneira peculiar e satírica, e que deviam ser ouvidas com mais atenção.

Algo que me chama a atenção nas rodas de conversa no Bar do Beijo, do Tõe Garrancho e do Bar do Pisquila, locais que sou frequentador de carteirinha e que chamo carinhosamente de “confrarias da história universal” (e cuja saudade causada pela pandemia reverberam em meu ser neste momento) é que todos querem saber o que se passa na mente de Fábio Avelar. (Ainda pretendo escrever um livro só com as discussões filosóficas das quais participo nestes locais).

O que se sabe de fontes próximas ao deputado é que ele aguardava uma decisão de um grupo de empresários da cidade a cerca de o apoiarem como candidato a prefeito.

Mas sobre o teor da reunião dos magnatas ainda não tive acesso, nem sei se de fato ela aconteceu. O que sabemos é sobre a tal aliança com Paulo e Joel, que representam a velha e empoeirada política de Nova Serrana.

Aí é que está a preciosa pergunta que nem meus amigos boêmios e nem os mais sóbrios conseguem responder: Se Fábio não se candidatar e decidir continuar seu mandato como deputado estadual, ele terá a pachorra de apoiar Paulo e Joel, nomes que os nova serranenses só de ouvirem passa a ter pesadelos?

Traduzindo para a linguagem do futebol, que Fábio Avelar tanto aprecia e eu também, é como se o deputado tivesse um pênalti para bater aos 48 do segundo tempo em um estádio lotado, a bola está em suas mãos e ele está caminhando para a marca da cal para decidir o jogo.

Há quem diga que se ele candidatar a vitória é certa, outros ainda estão com o pé atrás.

Fábio, que em seu segundo mandato como deputado estadual vem sendo um notável representante das necessidades básicas de nossa região precisará testar o real apoio de sua cidade.

Enquanto Euzébio, atual prefeito e postulante a tentar a reeleição, conta com o apoio de um forte setor religioso, Fábio precisará provar se santo de casa faz milagre ou não. E não falta muito para termos a revelação final deste suspense que tem deixado muitos de cabelo em pé.

O quarto elemento permanece uma incógnita, embora tenha realizado o fato histórico de costurar em torno de sua própria imagem uma relativa aproximação entre Paul e Joel, rivais de uma grande epopeia na história de Nova Serrana, Fábio pode estar entendendo que o melhor a se fazer, caso não se candidatar, é não subir no palanque de ninguém e deixar o jogo correr.

Mas Nova Serrana pode perder muito se isso acontecer. Primeiro porque sem Fábio na disputa e com Paulo ou Joel se candidatando teremos uma eleição das mais xoxas da história. Arrisco a dizer que ainda mais xoxa e fraca do que a disputa de 2008 entre Paulo e Telúcio, eleição que foi mais fácil para Paulo vencer do que tirar doce de criança.

Sem Fábio na disputa desse ano Euzébio pode se considerar reeleito. Paulo e Joel precisam aceitar que pertencem as páginas da história de Nova Serrana, mas que o presente pertence a outros.

Enquanto aguardamos Fábio Avelar cobrar este pênalti decisivo aos 48 do segundo tempo, seguimos com as teorias políticas. Os que consideram uma eventual vitória certa de Fábio o enxergam como uma espécie de Romário na Copa de 94, ou seja, sua presença na área já é meio gol.

Os que estão com o pé atrás temem que a sombra de Paulo e Joel possa lhe atrapalhar e cogitam os mais variados nomes para ser seu vice. Convenhamos que alguns dos nomes de possíveis candidatos a vice de Fábio que ouvi por aí se forem verdade é melhor Fábio nem se candidatar.

As teorias não param de crescer e o mistério permanece, enquanto Nova Serrana segue aguardando o misterioso destino de Fábio Avelar.

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OSVALDO CAMPOS MENDONÇA DE ÉVORA é jornalista e escritor, com experiência no jornalismo impresso, no rádio e também em publicidade e propaganda. É um democrata que defende o meio ambiente e a sustentabilidade, que valoriza o diálogo entre os diferentes lados políticos e que ressalta a importância da educação e da ciência.

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