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Editorial

“No Caminho com Maiakóvski”

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“Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história. Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”.

O trecho acima citado faz parte de uma das obras de Eduardo Alves da Costa intitulada “No Caminho com Maiakóvski” e no presente momento que vivenciamos em Minas Gerais, ela se encaixa de forma perfeita, ao luto mineiro.

Na primeira noite Eles se aproximam e roubam nossas flores: Os belos montes de Minas são conhecidos por suas riquezas naturais acima e abaixo da terra. A Minas Gerais, como já diz o nome, é uma terra onde o garimpo e a mineração caminhou lado a lado com  a construção da história de nossa terra.

Acontece que hoje os montes de nossa Belo Horizonte e toda a sua região metropolitana é como o sepulcro caído, uma casca bela e verde, que rodeia e molda as curvas de nossa região metropolitana, mas por detrás a mineração corroe e tira dinheiro em forma de minério de nossa terra.

Para que tal fato aconteça eles vêm de vários lugares do mundo, se instalam , enriquecem e tiram de nós parte do que temos de valoroso. Inicialmente nos dão algumas migalhas, empregos, 14.500 prometidos pela Samarco encheram os olhos do Governador recém eleito.

A inicial então uma relação que é viciosa e nociva, destroem nossas riquezas naturais, poluem, desmatam, assoreiam nossas vistas com a desculpa de que os empregos gerados, os benefícios angariados são benéficos para nosso desenvolvimento.

Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada: Dentro de uma perspectiva nada positiva olhamos para dias passados, na verdade pouco mais de três anos e aqui nos deparamos com a tragédia de Mariana. Eles vieram machucaram parte do que tínhamos de valioso e simplesmente nada fizemos.

Inoperância, passividade, impotência, ganância, são alguns dos adjetivos que marcam o que de fato acontece por aqui.

Simplesmente nada acontece como consequências mais imponentes, pelo contrário estamos prestes a escancarar novamente as chaves de nossa casa para aqueles que mataram 19 pessoas e causaram a maior tragédia ambiental já causada e nosso país.

Nós estamos prestes a dar a estes o aval para voltarem a atuar, a ganhar dinheiro a enriquecerem em nossas terras, enriquecerem sobre as nossas terras posadas, maltratadas pelos pecados passados.

Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta: agora a nossa voz foi arrancada sem sirenes, sem aviso, e com pesar sofremos, choramos e sentimos na pele que mais uma vez nos agrediram em nossa casa e tudo isso pela ganância.

Mas nossa omissão diante de tudo que vivenciamos  em tempos passados agora nos coloca em uma condição de inoperância. Por mais uma vez nãos sabemos o que fazer e por mais uma vez nos vemos vendados, amordaçados, e claro, omissos e condenados a sentirmos a dor de dezenas de mortes e centenas de filhos de nossa terra desaparecidos.

Porém como no passado não nos posicionamos, não nos impusemos, não guerreamos agora já não podemos dizer nada, agora nós resta chorar, revirar a lama e lamentar por um dia termos nos omitido frente ao agressor que com palavras sutis e milhas jogadas aos pobres comprou o poder de tirar vidas e matar nossa terra. 

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