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Não foi um acidente, foi um crime!

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Na última sexta-feira, após um dia de trabalho, como povo mineiro com o cansaço e o estarrecimento terminou em choque mais um dia. Em cada casa, em cada lar das terras de minas, ao sentar no sofá e olhar para a TV a fé do povo das gerais passou a ser questionada, mas não a fé em Deus e sim no ser humano.

Um misto de emoções passa por nosso povo e estando ou não próximos de Brumadinho. Cidade que outrora era conhecida por ser um dos berços da cultura mundial, com o belo museu de Inhotin, agora se torna vítima do descaso, da ganância, da irresponsabilidade.

Os olhos ficam perplexos de perceber que pelo menos 60 pessoas (números confirmados até o fechamento desta edição) morreram sem ao menos ter a chance de se defender, diante da tragédia ambiental que já se tornou a maior de nosso país.

Apenas três anos depois do fatídico episodio de Mariana, mais uma vez a Vale, está envolvida em uma tragédia ambiental que agora além dos transtornos e impactos no meio ambiente, que por sua vez são incalculáveis, causou a morte de 60 pessoas e mais de 290 permanecem desaparecidas.

Entenda os fatos

Durante o almoço, hora em que o trabalhador brasileiro pode repor suas forças, alimentar sua fome de manter vivo o seu futuro, justamente neste momento o sonho de pelo menos 60 pessoas foi levado pelo mar de lama que tomou conta do refeitório e toda a área administrativa da vale na cidade de Brumadinho, após a barragem da mineradora se romper na última sexta-feira.

Os impactos da tragédia podem ser ainda maiores, e a esperança já escorreu como a lama da Vale, isso quem indicou foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que afirmou em coletiva que “não há esperança de resgatar mais vítimas com vida”.

O desespero por parte dos familiares é grande e nem ao menos a identificação das vitimas é algo simples de se realizar, até o momento, apenas 19 dos 60 mortos foram identificados.

E ainda por parte dos que sobreviveram, existe um misto de emoções afinal a exemplo de Mariana os 192 resgatados e 135 desabrigados não têm nenhuma garantia de que suas vidas voltarão à normalidade algum dia.

A solidariedade cresce com o tamanho da tragédia, de toda parte do país e inclusive de Nova Serrana, campanhas como a da equipe de futebol americano Forgeds são realizadas para angariar mantimentos e mandar de alguma forma parte do sentimento de impotência e dor dos que se compadecem da tragédia, em forma de alento para os que choram pela perda e real em meio ao mar de lama.

De Israel, a terra do menino Jesus, ouviu as preces e se solidarizou com a dor dos mineiros, e como no atendimento de uma súplica, equipe com 136 soldados chegaram as terras brasileiras para dar apoio aos bombeiros.

Junto às preces que em todo instante são proferidas pelos mineiros e vítimas da ganância, a pergunta de “porque novamente aqui:”, se mistura ao pedido “Deus tenha compaixão destes afligidos”.

Evoluindo o nosso sentimento, carregamos no peito a emoção da indignação, da culpa, da justiça. Segundo divulgado a Vale suspendeu pagamento de dividendos e de bônus a executivos, e criou comitês para ajudar vítimas, reparar danos e descobrir responsáveis.

A Vale só não entendeu, ou não quis entender, que uma vida é um dano irreparável, 60 vidas são um dano irreparável, e os mais de 360 mortos (número que pode ser atingido devido a quantidade de desaparecidos) são um número que se confirmado, ficará cravado na história do povo mineiro por ser a maior tragédia já registrada em nossos ricos e belos montes.

A empresa que afirma buscar amenizar os impactos nem ao menos assume de forma digna a real quantitativa da grandiosidade da tragédia. Veja só, entre Vale e Bombeiros existe a divergência de quantas represas realmente se romperam. A mineradora insiste em uma barragem, já os Bombeiros, afirmam que três sucumbiram, e no montante dessa fatura está as vidas e impacto ambiental que causa dor e decreta o luto de um estudo, que perdeu em três anos, duas de suas filhas com a mesma doença.

Anunciada morte ecoando na hora errada

O eminente impacto das mortes poderia ser evitado, se ao menos as sirenes tivessem sido ecoadas na hora certa. Segundo uma moradora da região, não houve aviso. “Há poucos meses, técnicos estiveram aqui na cidade para passar instruções da sirene. Falaram que, em caso de emergência, iria tocar. Mas não foi bem assim”, disse Maria Aparecida dos Santos moradora da região atingida, já o presidente da Vale, Fabio Schvartsman disse à imprensa que não sabia “se a sirene funcionou”.

Ela funcionou, dois dias depois, quando na madrugada de domingo o terror foi ecoado pela sirene que acusava o possível rompimento de mais uma barragem, o medo se instaurou novamente, fazendo com que aqueles que estavam de luto, sentissem a dor de poderem ser novamente assolados pela tragédia. Medo que foi descartado horas depois, após a defesa civil descartar o rompimento da barragem 06 do complexo da mina do Feijão.

Justiça

Tentando amenizar a impunidade, e visando auxiliar a vida de quem foi literalmente devastado, a  Justiça de Minas Gerais já bloqueou R$ 11 bilhões da Vale para compensar os prejuízos e danos ambientais provocados pelo rompimento da barragem em Brumadinho.

No primeiro pedido, no fim da sexta-feira (25), a Justiça acatou a um bloqueio de R$ 1 bilhão requisitado pelo governo do Estado de Minas Gerais. No último sábado (26), o Ministério Público mineiro requisitou o bloqueio de R$ 5 bilhões para reparação ambiental. E, no domingo (27), o MP-MG pediu outro bloqueio de R$ 5 bilhões, desta vez para amparar as vítimas da tragédia, e foi atendido.

Apesar de tal valor ter sido retido, a exemplo dos episódios da Samarco já lamentamos pela impunidade e falta de consequências que serão fatidicamente o desfecho dessa tragédia.

Se a perspectiva é pessimista demais, basta olhar para 10 dias atrás e ver que o nosso nobre Governador Romeu Zema recentemente se reunião com os diretores da Samarco, Mineradora controlada pela Vale e BHP Billiton, que foi a protagonista da tragédia de Mariana e desde então está impedida de continuar sua atividade, mas corre atrás de duas licenças para voltar a operar e até privilégios de um café com o governador a então responsável pelo maior desastre ambiental do país pode degustar.

Na conversa o Governador tratou sobre 14.500 empregos que a empresa irá gerar ao retorno de suas atividades, isso representa arrecadação, representa impostos, representa recursos para os bolsos dos paletós, e pelo visto, como eles não aprendem a lição, infelizmente, isso também representa que aqui em Minas, o dinheiro vem acima das vidas e do meio ambiente, e não é de se estranhar se novamente estivermos de luto dentro de alguns anos devido a mais perdas causadas pelo descaso com o meio ambiente e desrespeito com a vida.

 

  • Foto: Adriano Machado / Reuters
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