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Greve dos caminhoneiros deixa cenário industrial calçadista em alerta

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Representantes do Sindinova alertam para efeito cascata que em diversos segmentos ligados direta ou indiretamente às indústrias da cidade

A greve dos caminhoneiros interviu diretamente quanto à produção de calçados do país. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) as principais empresas produtoras de calçado do país tiveram cerca de 50% da sua força de trabalho parada nos últimos dias de maio devido ao desabastecimento gerado pela greve.

Ainda segundo a pesquisa da Abicalçados cerca de 32% dos embarques de calçados já prontos para o comércio estavam parados no depósito das fábricas, aguardando condições favoráveis para serem transportados.

Nova Serrana

O município de Nova Serrana, um dos principais polos industriais calçadistas do Brasil seguiu as tendências nacionais e as empresas também tiveram uma desaceleração quanto à produção ocasionada pelo mesmo motivo.

Sendo o principal polo do setor em Minas Gerais, o Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), informou que algumas empresas tiveram que parar o serviço de produção e programar férias coletivas devido ao grande número de produtos parados nas fábricas e a falta de matéria-prima.

O Sindinova apontou ainda que outras empresas chegaram a demitir funcionários por conta das paralisações. Conforme os últimos dados disponibilizados pelo sindicato, a cidade tem 687 empresas atuantes no setor. Destas, 465 são fabricantes de calçados, 210 são fornecedores de matérias-primas e outras 62 são prestadoras de serviço que compõem o setor.

 Produção de Nova Serrana

Atualmente 96% dos calçados produzidos nas empresas de Nova Serrana são comercializados por representantes e outros 28% são vendidos diretamente para o comprador.

Em nota, o sindicato informou que o número de vendas deve ser prejudicado devido às paralisações, que provocaram efeito cascata em diversos segmentos ligados direta ou indiretamente às indústrias da cidade.

Conforme nota enviada pelo Sindinova, algumas mercadorias já foram enviadas para o comércio devido à proximidade do Dia dos Namorados, mas correm o risco de não chegar a tempo para a comercialização.

Em reunião ocorrida no Sindinova, na última semana, os diretores demonstraram preocupação com o atual cenário político e econômico do país. As paralisações provocaram efeito cascata em diversos segmentos ligados direta ou indiretamente nas indústrias calçadistas do Polo de Nova Serrana.

O vice-presidente do Sindinova, Júnior César Silva, teme que os produtos não cheguem ao destino e desencadeie um prejuízo sem proporções. “As mercadorias já enviadas para o comércio em função do Dia dos Namorados – que é uma data de grandes expectativas de vendas – correm o risco de não chegarem a tempo para a comercialização. As lojas não terão tempo de serem reabastecidas no prazo, podendo gerar devoluções, aumento dos estoques e prejudicar o faturamento das indústrias”, receia Junior César Silva.

Números

Segundo a Abicalçados, atualmente o país tem 2,5 mil indústrias e mais de cinco mil empresas prestadoras de serviço que dependem diretamente da atividade. A força total de trabalho, segundo a associação, gira em torno de 300 mil pessoas. A pesquisa aponta que, caso a situação não seja revertida, pelo menos 230 mil trabalhadores serão impactados em curto prazo.

Em Nova Serrana, o Sindinova estima que existam cerca de 20 mil trabalhadores diretos e outros 22 mil profissionais indiretos, que produzem todo ano cerca de 105 milhões de pares. Destes, 90% são destinados ao mercado interno, com produtos sendo vendidos nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste do país. O mercado externo representa 9,6% da produção da cidade.

Com a paralisação, o Sindinova estima que o setor tenha perdido mais de R$ 200 mil. O valor se dá à falta de matéria-prima, que não foi entregue nas fábricas, e aos calçados que ficaram parados nos depósitos mesmo estando prontos para a comercialização.

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