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Governo de Minas nega relação entre coronavírus e corpos em funerária de BH

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Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (23), o governador Romeu Zema (Novo) negou que Minas já tenha registrado mortes por causa do novo coronavírus. Segundo informações do último boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), reforçadas pelo governador na coletiva, o Estado contabiliza até então 128 casos confirmados da doença, e outros 7.766 em análise.


As explicações de Zema vieram após o funcionário de uma funerária de Belo Horizonte registrar um boletim de ocorrência dizendo que recebeu, desde a última sexta-feira (20), 73 corpos oriundos da região metropolitana de Belo Horizonte, sendo que 23 deles tiveram como causas da morte insuficiência respiratória aguda, pneumonia aspirativa e pneumonia crônica – sintomas associados à Covid-19.

O governador ressaltou que várias doenças são responsáveis pela morte por insuficiência respiratória e negou a relação entre o coronavírus e os corpos que teriam chegado à funerária. “Muitas pessoas que acabam morrendo de insuficiência respiratória têm como causa pregressa um infarto. A pessoa sofre um infarto, fica três ou cinco dias acamada e acaba falecendo por insuficiência respiratória. ACV, a mesma coisa. E pneumonia e enfisema, nem se fala então”. Ele completou dizendo que a informação foi divulgada de maneira irresponsável. “Agora, querer colocar como furo de reportagem algo que estatisticamente não se confirma, é alguém querendo fazer noticia onde não tem”, afirmou.

O secretário de saúde Carlos Eduardo Amaral acrescentou ainda que o Estado acompanha de perto todos os casos graves e investiga as mortes suspeitas. “A vigilância sanitária de Minas tem contato próximo coma comunidade médica e todos os casos são rastreados e acompanhados, principalmente os casos graves que estão em CTI, que são acompanhados por exames para sabermos se há ou não coronavírus”.

Entenda o caso

No boletim de ocorrência registrado pelo funcionário da funerária consta a informação de que há a suspeita de que as mortes tenham sido causadas por coronavírus, em função da similaridade com os sintomas da doença. Na ocorrência, ele alega ainda que estagiários de tanantologia estavam no local estudando os cadáveres.

Ainda de acordo com a denúncia, o número de corpos recebidos é muito elevado. Em 30 anos de profissão, ele nunca teria visto tantas mortes num intervalo de tempo tão curto. Na versão do funcionário, a maioria dos óbitos é de pessoas de 50 a 90 anos – segundo ele, apenas um corpo não se em enquadrava nesta faixa etária.

As mortes seriam, segundo o funcionário, de pacientes de Belo Horizonte, Matozinhos, Contagem, Betim, Sete Lagoas e um caso do Hospital Militar de Belo Horizonte.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que “a situação mencionada está sendo avaliada e acompanhada pelos órgãos competentes. Vale ressaltar que não há, até o momento, nenhum caso confirmado de óbito por Covid-19 no estado de Minas Gerais. Tão logo as informações sejam apuradas adequadamente, daremos os devidos esclarecimentos”.

O que diz a funerária

O gerente da funerária, Sérgio José da Silva, foi procurado pela reportagem e afirmou que o estabelecimento realmente recebeu diversos corpos, muitos por insuficiência respiratória. “Mas isso não quer dizer se tratar de coronavírus”, alegou.

O gerente contou, no entanto, que em um dos corpos que deu entrada na filial da funerária de Betim constava a informação de “vigência da pandemia Covid-19” no laudo. “Foram 73 corpos que recebemos de quinta-feira até domingo. O normal é receber 20 por dia”, disse Flávio. “Não posso explicar porque Betim lançou o laudo daquele jeito”, comentou.

“Dentro da normalidade”

Por meio de nota, o Grupo Zelo informou que o atendimento está dentro da normalidade e que o número de chamadas teve aumento nos últimos dias, “mas nada que possa ser considerado significativo”. “Está dentro da normalidade para essa época do ano”, afirmou.

O Grupo Zelo disse que não é responsável pela emissão de atestados de óbitos. “Portanto, impossibilitado de atestar causa-mortis dos atendimentos realizados “, reforça a nota.

Ainda de acordo com a empresa, até o momento ela não recebeu nenhuma confirmação de Covid-19. Quando isso acontece, ressaltou, a recomendação das autoridades de Vigilância Sanitária é de não fazer a tanatopraxia e o corpo é encaminhado para o laboratório para ser lacrado em uma urna e enviado diretamente para o sepultamento.

PM

O porta-voz da Polícia Militar de Minas, major Flávio Santiago, afirmou que o boletim de ocorrência feito pela corporação não faz juízo de valor.  “Relata situações repassadas por um denunciante”, afirmou Santiago.

O major afirmou que a denúncia foi encaminhada à Polícia Civil para investigação. Ainda segundo ele, a informação de que um dos corpos teria sido encaminhado à funerária pelo Hospital da Polícia Militar (HPM) não procede. “Há indícios de informações inverídicas”, disse, alertando que não pode haver pânico em relação a um caso que ainda está sob investigação.

Fonte: O Tempo

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