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Cansados das falcatruas

Mauro Soares

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A política na terra do sapato, experiencia dias de tensão e desassossego, com episódios lastimosos, protagonizados por personagens relevantes, envoltos em escândalos e denúncias contundentes; o fatídico episódio na Casa Legislativa, materializa de forma explícita, o desrespeito e o descaso dispensados pelos nobres edis à essas gentes que lhes confiaram seus votos.

Fico a imaginar a constrangedora cena, ser visitado pelo Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – do Ministério Público, acompanhado da Polícia Civil, matutinamente; certo é que não são benquistos, nem esperados na mesa do café da manhã; vereadores em polvorosa, atônitos com o imprevisto, vêem-se no embaraço, atormentados por “fantasmas reais”, chegando a jogar dinheiro, o nosso obviamente, pela janela.

Entristece o coração Serranense ver a casa do povo, historicamente dignificada por personagens singulares, tendo em suas fileiras, Jaime Martins, Antonino de Freitas, dentre tantos notáveis que a honraram, ser vilipendiada e relegada à condição de “casa mal-assombrada”.

A prodigiosa caminhada da Nossa Serrana, vive um momento sombrio, e não obstante ao episódio da casa do povo, testemunhamos o executivo incessantemente buscando o impedimento dos trabalhos da CPI dos contratos públicos, contrapondo os anseios de tantos, que utopicamente desejam que na política do cercado, prevaleçam a correção e a transparência.

Vejo com perplexidade, o negligenciamento de informações, numa clara demonstração de desinteresse na elucidação das interrogações acerca do dispêndio na área da saúde; mesmo a despeito de melhorias no atendimento, é injustificável que os munícipes não possam ter plena ciência da destinação dos recursos.

Numa cena grotesca, veiculada via mídias sociais, protagonizada por alguns integrantes da comissão interventora do Hospital São José, por ocasião da entrega da documentação solicitada pela CPI, fica evidenciada a malquerença para com os trabalhos da comissão parlamentar, e a forma jocosa ironizando custos e tempo dispensados para sua feitura, que seriam facilmente absorvidos caso houvesse o mínimo de solicitude, denota profundo desrespeito, não só para com os membros da CPI, mas sobretudo aos cidadãos dessa terra calçadista, ávidos por transparência em todos os setores da administração pública.

Vale ressaltar que uma das incumbências da vereança é a fiscalização do erário, sua destinação e correta aplicação, e os edis o são, por conseguinte, fiscais do orçamento; portanto, parafraseando o chefe do executivo, podemos afirmar que ao instaurarem a CPI, “não estão fazendo mais que a obrigação”.

Porém, como a reavivar o anseio por respostas, vemos em curso, um movimento iniciado timidamente, mas que aos poucos, encorpa e ressoa o pensar dos “cansados das falcatruas”, o mexer o doce.

É uma expressão idiomática dita comumente na região Centro Oeste do nosso Brasil, significando a necessidade de agir, de ação, objetivando uma benesse, individual ou coletiva; e é imperativo que o doce continue a ser mexido, para que venha à tona, todos os desmandos que por ventura tenham sido cometidos, seja no legislativo ou no executivo.

Em meio à tantas incertezas, restam, a esperança de que esses episódios sejam pedagógicos, e a evidência de que o Ministério Público terá ainda muito por fazer aqui na terra do sapato.

A escola desfila seu belo samba-enredo, a fantasia encanta, mas a veracidade da letra a ecoar e entristecer essas gentes “se trocou não mudou nada, jogo de cartas marcadas, é só perder” é o claro sintoma de que será preciso ir além do discurso afiado, propagando honestidade e transparência, para reconquistar a confiabilidade do eleitorado calçadista.

Abençoada semana

Graça e Paz

MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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