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Editorial

A síndrome do ex!

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Quando um homem vai se casar e seu pai lhe fala que o relacionamento durará para sempre, o homem pensa que a licença poética da afirmativa dizia respeito ao fato de que o amor dos dois será para sempre.

Na verdade o que o pai queria dizer para o filho é que tanto pelo lado bom, quanto pelo lado ruim, a relação deixa marcas que causaram consequências para o resto da vida.

Se pararmos para pensar, uma ex-esposa é capaz de criar um vínculo que interfere diretamente na vida do parceiro. Para a maior parte dos procedimentos judiciais a certidão de separação tem que ser apresentada. Até para um novo casamento o relacionamento anterior tem que ser passado a limpo.

Caso a ex tenha ainda um filho como fruto da relação a situação, ou melhor, as algemas, a prisão é ainda mais intensa, afinal o vínculo se torna diário, semanal e com isso, os atritos, as dificuldades, parte daquilo que você se dispôs a largar para traz permanece presente em sua vida.

As marcas, as feridas, os segredos e confissões também fazem parte desta relação, e estes por sinal promovem uma dependência que caminha em uma linha tênue entre confiança e chantagens.

Quando vemos a política, percebemos que essa relação de ex, é tão próxima, tão semelhante a de um casamento que chega a nos assustar.

Começando do âmbito federal, a lei do ex fez com que Palocci abrisse o bico, fez com que as delações premiadas causassem estragos, e isso aconteceu simplesmente porque Lula e seu staff deram as costas para seus relacionamentos passados, mas esqueceram que os mesmo são também de confiabilidade.

Lula foi parar na cadeia, porque não entendeu que o seus ex-secretários, que aqui entendemos que são como suas muitas esposas, que por terem segredos guardados e terem sido, “traídos”, ou melhor, abandonados, deram com a língua nos dentes, e agora, o senhor ex-presidente vê o sol nascer quadrado todos os dias, porque não teve tato para tratar a situação.

A situação vivenciada pelo ex-presidente deve ser estudada com maior carinho pela atual gestão de Nova Serrana. A máquina foi inchada, e sem o cuidado necessário, cabeças foram tiradas em desacordo, em atritos, em situações pertinentes.

Secretários saíram pelas portas dos fundos, alguns apresentando clara insatisfação e tivera até mesmo negócios pessoais prejudicados pela forma como foi conduzido a situação pela prefeitura. Outros simplesmente se viram desprestigiados quando foram colocados no bolo do baixo clero, onde seu conhecimento técnico passou a ser desvalorizado e foi então jogado aos porcos, sendo colocado juntamente com as decisões politiqueiras.

Se olharmos para a Câmara, boa parte dos atritos políticos se deu porque o executivo não soube tratar com os seus, que posteriormente se tornaram oposição e que agora, já não se tem mais lado, apenas desconfiança de tudo que transita de um lado para o outro da política municipal.

Partindo dai temos ainda o Procon, que agora também é alvo de denúncias, em momento pertinente diga-se de passagem. E aqui lembramos, um ex é letal, principalmente quando ele é coordenador de campanha, principalmente quando ele é colocado no meio político como agente e não como partidário.

A prefeitura tem atirado para vários lados, parece que depois de dois anos de pauladas aprendeu a realizar denúncias no Ministério Público, aprendeu a agir na prerrogativa da justiça.

O que o executivo não pode esquecer é que a justiça é cega, Lula que o diga. Ela não avalia o nome de quem apresenta o crime, ela apenas apalpa, julga e impetra a lei que for necessária, e partindo dai, os ex sempre tem uma vantagem, porque eles não mais estão nos holofotes, eles não tem mais o que perder, eles não tem mais nada, além do desejo de mostrar em última instância o quão relevantes eles eram em suas confidencialidades, para fazer com que seu companheiro continue de pé.

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