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Violência contra a mulher cresce durante a pandemia

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O monstro está dentro de casa e o mal chamado violência contra a mulher é alimentado durante a pandemia


Em Belo Horizonte no último domingo, dia 10 de maio, em pleno dia das mães, uma jovem de 19 anos foi morta degolada por seu ex-padrasto na sala da casa de sua mãe. O crime segundo investigado foi premeditado, uma vez que um dia antes o suspeito teria afirmado que a mãe da vítima teria um grande desgosto no dia das mães.

Em Divinópolis, na última segunda-feira, uma mulher de 29 anos foi executada com tiros na cabeça em sua própria residência em plena luz do dia. O suspeito do crime é o enteado da mulher, identificado com idade de 20 anos, que até o fechamento desta reportagem ainda seguia sendo procurado pelas autoridades.

A vítima em Divinópolis se chama Aline Pimenta Fernandes, a mulher que tinha um bom relacionamento com os vizinhos, que ficaram chocados com o crime, deixou para trás dois filhos, um bebê e uma criança de 10 anos. Informações iniciais apontam que a vítima já teria sido ameaçada anteriormente.

Os crimes apesar de serem chocantes, refletem uma triste estatística, que é o aumento de casos de violência doméstica e violência contra mulher em tempos de pandemia.

Estudos apontam que os registros e chamados de socorro por crimes contra a mulher tiveram um aumento durante a pandemia. No Estado de São Paulo, por exemplo, os atendimentos da Polícia Militar à mulheres vítimas de violência aumentaram 44,9%.

O risco que as mulheres passam em suas residências é tão real no estado paulista que o Ministério Público de São Paulo soltou nota, em que afirma que “a casa é o lugar mais perigoso para uma mulher”. Como referência, o órgão destaca dados da pesquisa Raio X do Feminicídio em São Paulo, que revelou que 66% dos feminicídios consumados ou tentados foram praticados na casa da vítima.

Nova Serrana

A exemplo do que acontece em São Paulo e outros estados do país em Nova Serrana a situação de violência contra a mulher não é diferente. Segundo informado pela Polícia Civil ao Blog, Papas na Língua, do jornalista Wilker Duarte, o número de casos onde é solicitadas medidas protetivas em Nova Serrana tiveram um significativo crescimento durante a pandemia.

De acordo com a Polícia Civil a cidade vinha registrando uma queda quanto ao número de medidas protetivas solicitadas na Delegacia de Nova Serrana. Em fevereiro o número de ações teve uma redução caindo para 16 medidas e em março foram 13 medidas solicitadas.

Contudo com o inicio da pandemia o número de casos teve um salto de mais de 100% em um mês, chegando a 27 medidas solicitadas em abril, sendo este justamente o período de implementação da Pandemia de Coronavírus.

Nossa reportagem entrou em contato com a Delegada Regional, Dra. Angelita Viviane, que confirmou que a cidade registrou um aumento do número de notificações de casos de violência doméstica e contra a mulher na cidade.

Por sua vez, a Delegada responsável pelos crimes contra mulheres na regional de Nova Serrana, Dra. Camila Pires, informou que estão sendo pleiteadas mais medidas protetivas durante a pandemia. “Estamos pleiteando mais medidas protetivas que o comum antes da pandemia, também tem havido prisões em flagrante, mas temos que ressaltar que essas já ocorriam antes mesmo da pandemia”. Informou a delegada.

Conforme apurado, somente no primeiro final de semana de maio foram realizadas pela Polícia Civil em Nova Serrana, quatro prisões em flagrante, motivadas por Violência Doméstica. Os crimes dessa natureza na cidade tendem ainda a serem menos denunciados pelas características do município.

Nova Serrana por ser uma cidade de migrantes, onde grande parte da população vem de outras regiões de Minas e do Brasil, as vítima por estarem distante dos seus parentes, as tornam mais suscetíveis a crimes e mais omissas a denunciar nos órgãos de segurança pública.

Canais de denúncia

Trabalhos de prevenção a violência domestica vem sendo realizados. Apesar de ainda não ter uma delegacia especializada para a violência doméstica, Nova Serrana agora conta com uma delegada que atua diretamente com os casos de crimes contra a mulher, foi criado no município um Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM) casa mais mulher.

Ainda como forma de intervir e violência doméstica a cidade agora conta com uma Patrulha de Prevenção a Violência Doméstica (PPVD), unidade da PMMG que atua diretamente no enfrentamento a crimes contra a mulher em âmbito domiciliar.

Para acionar os serviços basta procurar a delegacia de Polícia Civil, realizar uma denúncia por meio do 181 Disque Denúncia Unificado, pelo 190 ou 180, sendo este último o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.

Situação nacional e mundial

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informou que a quarentena gerou um aumento de quase 9% no número de ligações para o canal Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher: entre os dias 1° e 16 de março, foram 3.045 ligações e 829 denúncias; já entre os dias 17 e 25 de março, esses números saltaram para 3.303 e 978, respectivamente.

A ministra Damares Alves confirmou que “a situação de isolamento eleva o risco de violência. Acreditamos que o apoio dos vizinhos seja fundamental, para interromper situações que podem levar ao feminicídio”, disse.

Diante do aumento, a pasta lançou no dia 2 de abril o aplicativo Direitos Humanos Brasil, em que as vítimas de vários tipos de violações de direitos humanos, incluindo a violência doméstica, poderão entrar em contato com autoridades durante o isolamento e pedir socorro.

Cabe ressaltar que durante o período da pandemia, essas medidas terão tempo de validade indeterminado.

Segundo a Organização da Nações Unidas (ONU) uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência física e/ou sexual. A perspectiva no entanto é cada vez pior, pois segundo aponta o relatório “A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19”,  “é provável que esta crise piore como resultado da pandemia” do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Segundo o secretário-geral da ONU, Antonio Gutierrez, “nas últimas semanas, à medida que as pressões econômicas e sociais e o medo aumentaram, vimos uma onda global horrível de violência doméstica”. “Em alguns países, o número de mulheres que telefonam para serviços de apoio dobrou.”

Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a demonstrar maior preocupação com o aumento das agressões contra as mulheres na pandemia. “Pedimos que os países considerem os serviços de combate à violência doméstica como um serviço essencial, que deve continuar funcionando durante a resposta à Covid-19”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma entrevista coletiva.

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