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Tempos idos

Wellington Pimenta

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Para quem gosta de nostalgia este texto poderá agradar, pois vai trazer algumas poucas, mas boas lembranças de nosso passado não tão remoto, mas feliz e muito saudoso.

Em nossa cidade ainda pequena, com hábitos pequenos, necessidades pequenas, todos conheciam todos e os costumes tinham por base, a educação, o respeito e a cortesia, lembranças boas do nosso dia a dia.

Assim como em outras cidades pequenas, era comum as senhoras irem as  missas ou cultos  e voltavam para casa se sentido seguras, as crianças brincavam na rua sem medo,  os homens, após o dia de serviço nas “fábricas”, passavam nos barzinhos ou botecos ( tinham alguns como o Boteco do Nivaldo, Malaquias , o bar do Beto),  para “tomar uma”, antes de irem pra  casa e deixavam os carros abertos estacionados na rua e com as chaves na ignição, sem nenhuma preocupação.

Era muita tranquilidade e felicidade. Não acontecia nada e as pessoas ainda reclamavam, lembro-me que em 1985, durante todo o ano a PM registrou 79 ocorrências.

Às vezes em um dia ou outro as pessoas se deparavam com algum trabalhador bêbado que as vezes por motivos bobos incitavam e ou perturbavam os outros, ou alguma discussão sem maior gravidade, as vezes em algum boteco ou as vezes uma provocação de vizinhos.

Lembro-me que naquele tempo se perguntasse o que significavam os termos “Atrito verbal” e “Vias de Fato”, quase ninguém respondia, não por ignorância, mas sim porque não eram comum e raramente aconteciam.

Recordo-me que por volta das 10 horas da noite, muitos rapazes saíam da casa das namoradas e se encontravam lá no bar do Perú, o famoso Butecão para tomar a saideira antes de ir dormir.

Nessa hora as ruas já estavam completamente vazias. As vezes via a viatura passando (Fiat 147) apelidado de Lady Laura, raramente outro carro a essas horas era visto transitando.  Nas sextas feiras e no sábado tinha o Panorama (que veio logo após o Studio 55 fechar) que eu não conheci, e o recém-surgido Skala, ficavam quase de frente um para o outro na extinta Rua Divinópolis, mas no máximo a meia noite estava fechando, o que para muitos da época era um absurdo, pois meia noite era muito tarde.

No Domingo, a tarde aconteciam os jogos mais importantes, Nacional x Juventus, tinha o Anulos, tinha o Cabeça de Porco e tantos outros. A noite ainda tinha as danceterias, só que no domingo à noite, quase todo mundo ia embora mais cedo, pois, na segunda feira, todos tinham que trabalhar.

Às vezes passava-se até dois meses sem acontecer nada, nenhum registro, nenhuma briga, nenhuma ocorrência era registrada.

Lembro-me que toda noite, entre 20:30 e 21:00 horas passava um ônibus da Santa Maria e as sextas também um da Saritur, naquela época isso era evento importante e merecia atenção da PM que ficava na Rodoviária fechada e completamente vazia e as ruas sem ninguém, aguardando a passagem dos ônibus.

Como é bom relembrar os tempos que construíram nossa história, os tempos cheios de saudosismo e que antecederam de forma brilhante os dias de hoje. Para esses tempos idos e a todos que viveram isso, faço a minha continência com muita saudade no peito.

WELLINGTON LINO PIMENTA é natural de Bom Despacho-MG, Sargento da reserva da Polícia Militar, residente em Nova Serrana há 33 anos, ferrenho defensor do meio ambiente, escritor, autor de 5 livros ainda não publicados; trabalhou na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, católico estudou por 4 anos o curso de teologia para leigo.Atualmente colabora na divulgação e mobilização no Consep - Conselho Comunitário de Segurança Pública .

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