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Tempos de depuração

Rido de Oliveira

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Nos últimos tempos temos acompanhado uma verdadeira mudança em nosso meio, no que diz respeito à caça de pessoas envolvidas em corrupção. Quando fazemos uma análise de tempos pretéritos, isso lá pela década de noventa, iremos verificar que poucas eram as operações policiais de combate à corrupção, quase impossível era ver alguém de colarinho branco ser preso e ficar um tempo preso.

Após o governo Fernando Henrique um trabalho de renovação da polícia federal teve papel crucial no combate à corrupção. Passou a se exigir muito para ingresso na polícia federal, começou a se investir forte na instituição, consequentemente melhores e mais capacitados agentes começaram a integrar a polícia federal. A partir dos anos dois mil, começamos a colher os frutos dessa renovação e do investimento feito na instituição.

Contudo, a coisa somente começou a dar resultados mais relevantes com o início da famosa operação lava jato, onde começamos a ver poderosos empresários e políticos sendo presos e mantidos no cárcere.

Cenário impossível de ser imaginado em tempos anteriores. Impossível imaginar ainda na década de noventa que empresários da envergadura de Marcelo Odebrecht, de Joesley Batista e tantos outros sendo presos. Políticos como ex-presidente Lula e outros atrás das grades.

Esse cenário com certeza gerou um certo alento em parte de nossa sociedade, não que a sociedade acredite que a corrupção esteja acabando ou diminuindo, mas que vários estejam sendo pegos e sofrendo punições pelos atos criminosos em face do erário público e da moralidade pública.

A lei da ficha limpa, embora toda deturpada por parte da Justiça Eleitoral, veio a contribuir para uma sensação de melhor limpeza dos agentes públicos, evitando que certos condenados por corrupção assumissem cadeiras no legislativo e executivo.

A depuração talvez tenha se iniciado há algum tempo, mas vejo que ela pode estar ainda no início, pois, o mundo inteiro passa por uma mudança comportamental, no Brasil essa mudança também ocorre, ainda de forma lenta, mas bem acentuada.

O Fenômeno das redes sociais exerce grande papel nessa mudança, a facilidade de comunicação e o universo incontrolável das redes sociais tem sido talvez o maior motor dessa mudança.

A eleição de um político do baixo clero para a presidência da república, que quando se lançou candidato quase ninguém acreditava que chegaria lá é uma demonstração da força das redes sociais, mas também da mudança de foco de nossa sociedade.

Essa mudança envolve o desejo de depurar a gestão pública, afastando aqueles que sabidamente buscam o poder para seu próprio benefício.

Muitos podem discordar, mas vejo de forma muito positiva esse processo de depuração no meio público, entendendo que o mesmo é incontrolável por quem quer que seja, não sendo mais possível frear o mesmo.

Quem acreditar ser intocável é melhor acordar, pois, poderá ser acordado às seis horas da manhã com a frase: “abre que é a polícia!”.

RILDO DE OLIVEIRA E SILVA é advogado desde 2002, formado pela fadom – Faculdade de Direito do Oeste de Minas, possui o escritório de advocacia Rildo de Oliveira e Silva & Advogados Associados. É também escritor nas horas vagas, tendo publicado o livro do gênero romance de nome “Letras Mortais”. Atualmente ocupa o cargo comissionado de procurador adjunto do município de Nova Serrana

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