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Quando um presidente não tem uma oposição constituída, e constrói suas próprias crises!

Mauro Soares

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O cenário poderia estar perfeito para Jair Bolsonaro.

O presidente acaba de receber alta hospitalar, Renan Calheiros sucumbiu no Senado, com um revés histórico dada a supremacia do MDB na casa, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva continua preso, com o agravante de uma segunda condenação, agora pelo sítio de Atibaia, e o PT se apequena discutindo se Gleisi Hoffmann errou ao comparecer à posse de Nicolás Maduro, na Venezuela; no entanto, embora a conjuntura sorria para o mandatário, seu governo parece decidido a adotar o fogo amigo, como companheiro de viagem.

Sem oposição, o Planalto produz suas próprias crises, e o faz, com o “afável” auxílio da família Bolsonaro.

Paulatinamente, a parentada vai se revelando ser uma usina de encrencas. O próprio presidente ainda deve à nação, explicações sobre o depósito feito pelo ex-assessor de Flávio Bolsonaro, o filho-senador, na conta da primeira-dama Michelle; “a crise do momento” foi produzida pelo vereador Carlos Bolsonaro, o ‘Zero Dois’ da prole presidencial, o filho que o presidente chama carinhosamente de meu pitbull.

Suas críticas severas ao ministro Gustavo Bebiano, chefe da secretaria de governo, inclusive tendo o chamado de mentiroso, foram determinantes na primeira exoneração do recém empossado governo; divergências entre o outrora assessor de confiança e o seu “filho predileto”, expõem as dificuldades que o governo terá, para dialogar, ambicionado as inadiáveis reformas.

É bem verdade que recaem sobre o ministro, acusações sobre uso indevido do fundo partidário; publicação recente da “Folha de S.Paulo”, revelou repasse do PSL, à época presidido por Bebiano, da ordem de R$ 400 mil, para uma candidata de Pernambuco suspeita de ser “laranja”.

Posteriormente, para negar que houvesse crise em função da denúncia da “Folha”, Bebianno disse que havia conversado três vezes com Jair Bolsonaro,  enquanto o presidente ainda estava hospitalizado em São Paulo. Usando as redes sociais, ao melhor estilo patriarcal, o vereador Carlos Bolsonaro classificou a afirmação de Bebianno como “mentira absoluta”. Ato contínuo, Jair Bolsonaro compartilhou as mensagens do filho na mesma rede social.

Magoado, o agora ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, se sente traído e abandonado e não deve poupar o Zero dois, filho do presidente. A interlocutores, Bebianno tem afirmado que enxerga no vereador uma pedra no sapato do presidente, e se refere a Carlos com adjetivos que desqualificam sua capacidade intelectual.

Categoricamente, o ex-ministro tem dito que o “ciúme exacerbado” que Carlos tem do pai foi posto acima do projeto de melhorar o País, no qual ele se empenhou nos últimos anos, como coordenador e incentivador da campanha de Bolsonaro desde os primórdios; a esses mesmos, Bebianno tem demonstrado preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo.

Quando um presidente não tem uma oposição constituída, e constrói suas próprias crises, é preocupante. Quando elas nascem no seio familiar, tendem a se tornarem duradouras e insolúveis.

Abençoada semana, Graça e Paz

MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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