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Atualmente cerca de 70 casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes são apurados pela Polícia Civil em Nova Serrana

Dezoito de maio é uma das datas de relevante importância quanto ao combate de um crime de impacto social que vem assolando a população mundial geração após geração. A data é referente ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

No dia 18 de maio de 1973, quando a Araceli Crespo, de 8 anos, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta em Vitória (ES), foi exposto em nossa sociedade uma barbárie que vinha ocorrendo constantemente em todo o país , porém  sem nenhum combate ou ações que intervissem efetivamente quanto a violência sexual contra as crianças.

Para se ter uma ideia do impacto que essa causa tem sobre as crianças brasileiras, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos somente em 2016 17,5 mil casos foram notificados quanto o abuso e violência sexual de crianças e adolescentes de zero a 18 anos através do serviço disque 100.

Outro dado que chama a atenção é o fato de que a maior parte das denúncias é referente aos crimes de abuso sexual (72%) e exploração sexual (20%). As demais ligações estavam relacionadas a outras violações como pornografia infantil, exploração sexual no turismo e estupro.

Os números ainda aponta que cerca de 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas. Os meninos representam 16,52% das vítimas. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%.

A faixa etária também é descriminada, segundo apontam os dados 40% dos casos eram referentes a crianças de zero a 11 anos. As faixas etárias de 12 a 14 anos e de 15 a 17 anos correspondem, respectivamente, 30,3% e 20,09% das denúncias. Já o perfil do agressor aponta homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%) como principais autores dos casos denunciados.

Casos em Nova Serrana

Os índices apresentados acima são preocupantes quando se fala da situação vivenciada no Brasil, contudo, se olharmos para Nova Serrana vamos perceber que por aqui a situação não destoa do grave quadro vivenciado em âmbito nacional.

Segundo informado pela delegada regional de Nova Serrana, Drª Elenita Batista, hoje se tem cerca de 70 casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes em Nova Serrana sendo apurado pela Polícia Civil, isso sem contar os casos que já estão em andamento na Justiça local.

Os dados da Polícia Civil em Nova Serrana apontam que toda semana são recebidos de um a dois casos de abuso sexual contra crianças no município, o que demanda uma ação pontual contra esse tipo de crime.

A delegada explica que essa ação pontual deve ser a instrução que tem que ser oferecida as crianças, as principais vítimas nessa circunstância. “Trabalho há 20 anos como Delegada de Polícia, identificamos muitos abusos, eles começam por volta dos  2 anos, mas a maior incidência é por volta dos 5 a 8 anos e com essa idade as crianças já podem aprender a dizer não, a denunciarem ações contra sua integridade”. Pontua Drª Elenita Batista.

Os trabalhos da polícia quanto a crimes dessa natureza estão relacionados à investigação, contudo a delegada entende que é hora de se promover uma ação que venha intervir nesse cenário. “É frustrante atuar na área há tanto tempo, lidar com esse tipo de crime e não agir na prevenção para que esse quadro mude. A missão da polícia é apurar os casos, as denúncias, mas e as demais crianças que podem vir serem vítimas? É pensando nisso que estamos iniciando um projeto que é uma semente que será lançada na cidade e que esperamos que perdure e se torne presente no município em seu desenvolvimento”, afirmou a delegada.

PROTEJA

No próximo dia 20 de maio, dois dias após o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, será lançado, em Nova Serrana na Escola Municipal Belchior Preto, o PROTEJA.

A ação que surgiu com a proposta da Delegacia Regional da Polícia Civil de Nova Serrana, conta desde o início com o apoio da Associação Cristo Vive, a ação que não tem cunho político ou institucional tem como caráter a formação dos valores das crianças, instruindo de forma pontual, lúdica e leve.

Drª Elenita explica que o projeto irá intervir diretamente quanto ao senso de defesa das crianças, que entenderão devido a orientações lúdicas o que é um risco para sua integridade.

“O que mais preocupa é que as crianças não sabem se defender, ela não sabe diferenciar o carinho do abuso, é nesse ponto que o PROTEJA atuará, de forma gradativa a criança vai poder entender o que pode e o que não pode e, principalmente, vai aprender a dizer não. Esse processo é importante até porque quase sempre o abusador é alguém próximo e precisamos estruir de forma leve para que também a criança não tenha uma instrução maçante e indutiva”. Explicou a delegada.

Metodologia

No dia 20 de maio, no lançamento da ação será realizada uma rua de lazer com confecção de 30 carteiras de identidade, brinquedos e prestação de serviços como corte de cabelo.

O projeto será levado para as escolas e instituições religiosas como as igrejas evangélicas que já aderiram à ação, e durante a rotina das instituições serão dadas instruções por meio de cartilhas em forma de quadrinho, vídeos ilustrativos e brincadeiras.

Drª Elenita entende que essa ação é uma semente que está sendo lançada para a construção de uma sociedade melhor e mais segura para as crianças. “O objetivo é que o projeto perdure. Essa é uma sementinha, as crianças tem que saber o que é abuso e o que é carinho, queremos ensinar as crianças a dizer não”. Disse a delegada.

Apoio de cada cidadão

Para que tenha êxito junto às crianças o projeto será implantado de forma pontual e educacional, a ideia é que nas escolas bíblicas dominicais, na catequese, com orientações por meio de vídeos e textos, redações e até uma revista em quadrinhos, cartilhas e vídeos bem pontuais.

Com essa abordagem é necessário que a sociedade, com suas várias instituições, abrace a causa. “A igreja evangélica já abriu as portas. Na reunião ocorrida ontem com mais de 20 pastores que se comprometeram em participar do PROTEJA, esse contato veio através da Associação Cristo Vive que desde o início, na pessoa de seu presidente Pastor Antônio Resende, apoiou e vem ajudando a desenvolver o PROTEJA com esta autoridade, principalmente a psicóloga Crenilda, a qual foi indicada para tal fim pela citada associação. Com a igreja católica ainda estamos conversando sobre a possibilidade de aderirem à causa, lembrando que nosso objetivo não é ter qualquer tipo de beneficio, ou cunho político, tão pouco financeiro, e sim queremos que as instituições nos apoiem auxiliando na implementação do projeto”. Finalizou Drª Elenita.

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