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O jeitinho

Rido de Oliveira

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Há muitos e muitos anos, observo e critico uma postura comum e arraigada na nossa cultura brasileira, a cultura do jeitinho. Conseguimos até um nome para ele: Jeitinho Brasileiro.

Iniciado meu trabalho em janeiro de 2017 na procuradoria do município, tive a oportunidade de ver de perto e conviver com os pedidos de jeitinho. Nós brasileiros temos esse hábito que considero nefasto, pois, o pedido de jeitinho na maioria das vezes envolve agir contrário à lei, burlar regras e prejudicar terceiros.

Na administração pública, o jeitinho deve ser repelido ainda com mais veemência, pois, visa privilegiar uns em detrimento de uma maioria.

No âmbito da administração municipal, talvez pela facilidade de acesso ao chefe e demais autoridades do executivo, os pedidos de jeitinho ocorrem rotineiramente. Vemos que as pessoas que pedem o jeitinho sabem que estão pedindo algo indevido e ilícito, mas mesmo assim entendem que para eles aquilo pode. Mas se descobrem que aquilo foi feito para terceiros, criticam, abominam e pedem punição exemplar.

Vemos todos os dias uma grande parcela da população aplaudindo e louvando operações como a lava jato; um juiz foi transformado em celebridade por agir com veemência e combater os crimes de corrupção no plano nacional.

Contudo, esse mesmo brasileiro que aplaude tais operações, não se envergonha de procurar órgãos públicos para pedir um jeitinho na sua situação, que pode envolver agir contra a lei, distorcer a lei, quebrar regras e receber um privilégio em detrimento do prejuízo de toda a população.

Essa questão do jeitinho está enraizada em nossa cultura, tanto que em vários países os brasileiros são discriminados pela falta de postura no cumprimento de regras.

Recentemente ouvi um comentário de um amigo, de que os japoneses que residem na capital Tókio, estavam ficando com pavor dos brasileiros, haja vista que os mesmos não obedeciam a regras simples (simples pra nós), como não jogar lixo nas ruas e estacionar em locais proibidos, questões que para os japoneses são gravíssimas.

Por aqui jogar lixo nas ruas e estacionar em locais proibidos é rotina dos brasileiros, aí quando podem ser punidos recorrem ao jeitinho, como tentar tirar a multa feita pelo estacionamento em local proibido.

Fato é que precisamos entender que se queremos verdadeiramente uma sociedade menos corrupta, não adianta somente cobrarmos dos políticos e autoridades constituídas uma postura ética e honesta, precisamos começar por nós mesmos.

Um bom começo seria mudar a postura de buscar o famoso jeitinho brasileiro em várias situações. A lei e as regras estão ai para serem cumpridas, não podemos aceitar a desculpa de que muitos não cumprem e por isso não irei cumprir também. Também não podemos aceitar a alegação de que as regras ou leis não fazem sentido.

Para mim, honestidade, ética e respeito às leis e regras são obrigações de todos, sendo que na maioria das vezes o famoso jeitinho brasileiro é contrário a tudo isso.

RILDO DE OLIVEIRA E SILVA é advogado desde 2002, formado pela fadom – Faculdade de Direito do Oeste de Minas, possui o escritório de advocacia Rildo de Oliveira e Silva & Advogados Associados. É também escritor nas horas vagas, tendo publicado o livro do gênero romance de nome “Letras Mortais”. Atualmente ocupa o cargo comissionado de procurador adjunto do município de Nova Serrana

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