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Acidente

Jovem é preso por atropelar mulher com BMW em BH e comunicar falso crime à PM

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Um jovem de 24 anos foi preso na madrugada desta segunda-feira de Carnaval (28/2) após se envolver em uma acidente de trânsito na avenida Raja Gabaglia, no bairro Santa Lúcia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com a polícia, ele é suspeito de atropelar e matar uma mulher de 35 anos, fugir do local sem prestar socorro e comunicar um falso crime às autoridades. As informações são do jornal O Tempo.


Segundo o boletim de ocorrência, por volta da 1h05, a Polícia Militar (PM) foi acionada para atender um atropelamento na altura do número 4.871 da avenida. Quando os militares chegaram ao local, uma ambulância do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) já atendia a vítima, que foi constatada com politraumatismo grave, afundamento do crânio e diversas fraturas pelo corpo. O quadro da mulher evoluiu para o óbito ainda no local.

Uma amiga da vítima, que estava com ela, relatou aos policiais que elas andavam em direção ao veículo da vítima, rente aos carros estacionados na via, no momento em que as duas subiram na calçada, e ela ouviu um barulho alto, semelhante ao de uma batida de carros. Nesse momento, ela olhou para trás e não viu sua amiga, mas a encontrou alguns metros à frente, caída no chão, com diversas lesões, inconsciente e perdendo muito sangue. A amiga disse que, devido à rapidez dos fatos e por estar na frente da vítima, não conseguiu ver o carro que a atropelou nem a dinâmica dos fatos.

Testemunha deu detalhes

Uma outra testemunha que estava no local, entretanto, passou informações de forma enfática aos policiais. Segundo ela, houve um estrondo alto de colisão, quando viu uma BMW modelo 320, cor azul, em alta velocidade. O veículo ficou com danos na frente direita, bem como no capô e no lado direito do para-brisa. Após  ter ouvido o barulho, a testemunha percebeu que tinha uma mulher caída no solo e que após ser atropelada, ela foi arremessada na traseira de um Ecosport, veículo estacionado na via, que ficou com a traseira danificada pelo impacto.

As informações do carro envolvido no acidente foram repassadas pelos militares, por meio da rede de rádio da PM, na tentativa de localizar o veículo e o possível autor, que fugiu do local do crime.

Falsa comunicação de crime

Enquanto a perícia da Polícia Civil realizava os trabalhos no local do acidente, policiais que ficam na base comunitária da praça da Savassi, na mesma região, relataram que por lá tinha aparecido um carro da mesma marca e da mesma cor informada pela testemunha do atropelamento. O motorista, que estava nervoso e apresentava sintomas de embriaguez e fala desconexa, relatou que tinha sofrido uma tentativa de assalto e que tinha brigado com flanelinhas na rua Fernandes Tourinho.

O jovem, de 24 anos, afirmou que estava no local para deixar um amigo em casa, momento em que uma pessoa apareceu pedindo dinheiro e que, ao negar, foi agredido e ameaçado, o que o obrigou a sair correndo do local. Policiais foram até a rua indicada, mas não encontraram o suposto agressor.

Na rua, um flanelinha disse aos militares que tinha visto três pessoas nervosas perto do veículo, conversando sobre um atropelamento.

Bafômetro acusou embriaguez

Diante do relato do flanelinha, os policiais voltaram até a base da praça da Savassi e, com as informações repassadas pela rede de rádio, suspeitaram ser o mesmo carro do acidente, mas com o motorista tentando relatar um falso crime. Apesar de ter negado a ingestão de bebida alcóolica, o jovem realizou teste de bafômetro, que apontou o índice de 0,56mg, o que é considerado crime de trânsito. Uma garrafa de vodca que já tinha sido aberta foi encontrada no carro.

Quando perguntado sobre o atropelamento na avenida Raja Gabaglia, o motorista se mostrou ainda mais nervoso aos policiais, mas negou que tenha se envolvido no acidente. Foi observado também que o veículo estava com danos em parachoque dianteiro direito, farol direito, capô e lado direito do para-brisa, avarias semelhantes às relatadas pela testemunha, o que reforçou a suspeita de o autor ter atropelado fatalmente a pedestre.

O subtenente Ricardo Câmara informou que o resultado do bafômetro configura crime de trânsito por embriaguez, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “Em tese, ele estaria em curso de evasão de local de acidente, embriaguez ao volante e falsa comunicação de crime”, acrescentou.
Somandas as penas, o motorista pode pegar até seis anos e seis meses de reclusão.

Prova final

Durante a perícia, o perito recolheu próximo ao acidente uma palheta do limpador de para-brisa. Quando chegou na base da polícia na Savassi, o especialista viu que a BMW estava sem uma peça dessa. Uma das palhetas que estava em uso no veículo era igual à recolhida no local do acidente, o que motivou um pedido de apreensão do veículo.

Diante disso, o motorista recebeu voz de prisão por embriaguez ao volante, além de ter sido enquadrado como fuga de acidente sem prestar socorro à vítima e falsa denunciação. A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do jovem estava vencida há mais de 30 dias. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

O que diz a defesa

Bruno Correa Lemos, advogado do condutor alega que ainda não teve acesso as provas e elementos. Ele pontuou que, em conversa com o cliente e algumas testemunhas, o fato não condiz com o que aconteceu. “Ele está muito confuso, assustado e ainda não conseguiu me passar detalhes. Ele está nervoso, até mesmo pela situação”, afirmou.

O defensor pontua que não sabe se havia uma garrafa de bebida dentro do carro e que isso não é elemento suficiente. Além disso, o motorista destaca, segundo o advogado, que não teve conhecimento sobre a peça do carro e do suposto falso testemunho. Questionado pela reportagem sobre o atropelamento, ele disse: “Ainda não sei se tem conexão”.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o suspeito foi conduzido ao Detran-MG, onde será ouvido pelas autoridades policiais da Central Estadual de Plantão Digital, ainda nesta segunda-feira (28).

Prisão confirmada

A PCMG informou ainda, por meio de nota, que confirmou a prisão em flagrante do suspeito “pela prática do crime de homicídio culposo, na condução do veículo automotor, sob influência de álcool e por omissão de socorro à vítima do acidente”. O texto acrescente: “ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça. O veículo foi removido para o pátio de apreensões. As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Delegacia Especializada em Investigação de Crimes no Trânsito”.

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