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Eu só queira entender!

Léo Junqueira

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Como grande parte da população eu também frequento as redes sociais. Pelas postagens que recebo vejo todo tipo de mensagem, das que felicitam os participantes, passando pelas brincadeiras, vídeos de todo tipo e também comentários que as pessoas fazem sobre a vida.

As tristezas e alegrias, também fazem parte do volume de recados sabe-se lá com qual intenção. Mas uma especificamente tem me intrigado pelo conteúdo de fé ou simplesmente ato religioso (que entendo terem suas diferenças).

Recentemente acompanhei, através de comentários, a troca de posicionamento político de um conhecido frequentador do Facebook, que deixou de ser um crítico da atual administração para se engajar nas fileiras comandados pelo prefeito Euzébio Lago. Ora, nada de errado que as pessoas mudem seus conceitos e opiniões sobre a política. Eu mesmo me concedo este direito de pensar livremente sobre os acontecimentos, desde que seja com coerência e bons fundamentos.

Não demorou muito e as várias tendências se manifestaram, uns criticando a troca de lado e outros elogiando a postura do dito frequentador, que não era um participante qualquer, pois esteve presente com suas opiniões em colunas na imprensa local ou em programas de rádio.

Depois de tantos comentários chamou minha atenção alguns que insistiam em dizer que “Deus estava na frente, Deus estava com ele e Deus abençoaria a sua nova verdade”.

Pensei comigo, que Deus me acompanha também e como faz com este frequentador do Facebook, também abençoa minhas decisões e vai sempre à minha frente abrindo e indicando os caminhos onde terei Sua proteção.

Então, me expliquem uma coisa: como pode Deus abençoar a decisão de uma pessoa que de forma radical mudou de opinião sobre a atual administração tão criticada anteriormente à sua bandeira de luta? Será que estou enganado em manter a minha forma de pensar e continuar acreditando que a mudança prometida não aconteceu? Será Deus, como o concebo, capaz de ter duas opiniões diferentes e proteger as duas tendências como verdadeiras?

Creio que como um Ser Onipotente isso seja possível, mas não acredito que eu tenha sido abandonado pelo Criador, porque a crença e linha religiosa do referido frequentador do Facebook seja a mais correta.

Será que Deus pode optar pela conveniência material a qual foi capaz de seduzir este conhecido frequentador das redes sociais? Bem, seja qual for o motivo prefiro acreditar no bom conselho de meus pais, que sempre disseram que política, religião e futebol não se discute e muito menos se mistura com nosso livre arbítrio de escolher nossos caminhos, desde que possamos assumir as consequências.

De um lado temos um deus, que protege e acompanha os passos de quem se sente prejudicado por ações políticas desastradas dando a eles a esperança de dias melhores. Do outro, temos um deus que “vai na frente” abrindo os caminhos e indicando o que é melhor em outro sentido. Então em qual deles devemos crer?

Sinceramente eu só queria entender, como as pessoas podem se apropriar de algo tão superior às coisas materiais e envolver com política. Assim, como é possível ver um torcedor do Galo orando e pedindo a Ele que seu time ganhe do adversário Cruzeiro, sendo que deste lado também tem outro deslumbrado e crente torcedor acreditando que “Deus está com ele e seu time” para vencer o mesmo jogo.

Como disseram meus pais, política, religião e futebol não se discute e nem se mistura com as coisas da fé, pois sobram nas páginas de jornais e noticiários quanto mal a política sem escrúpulos causou à população. Sendo assim, quero informar a quem possa interessar que não dei procuração a ninguém para falar com Deus em meu nome.

Não permiti que qualquer pessoa seja o portador da verdade que só interessa a mim. E penso, que todos que usam Seu nome em vão deveriam ficar mudas por algum tempo, para que a obra Divina possa ser reconhecida pelo bem, pela necessidade e pela verdade e não pelo que pode parecer digno de fé.

Política, religião e futebol não se discute, mas seu significado tem personalidade e endereço certo. Já vi ateus rogarem ajuda a Nossa Senhora em momentos de extremo aperto. Já vi crentes praguejarem por perderem algo materialmente valioso e devotos ferrenhos perderem a fé por uma discussão boba com o vizinho.

Não somos perfeitos e muito menos donos da verdade. Mudar de opinião é muito natural e aqui cabe uma frase de Nicolau Maquiavel: “política é a arte da traição!” e ninguém está imune a este diagnóstico de mais de 500 anos.

O antidoto para tudo isso está chegando e as novas eleições darão um “banho de descarrego, fará a lavação com água benta ou exorcizará o demônio” para que possamos ver a verdadeira face da política que tira mais do que trás benefícios, que com fé ou apenas na expectativa, esperamos a tanto tempo. Eu só queria entender…

LEONARDO VELOSO JUNQUEIRA é daqueles publicitários da época romântica, quando a comunicação ainda era feita com base no talento criativo. Foi sócio fundador da Insight Comunicação durante 22 anos prestando serviços de comunicação e marketing a grandes empresas, como Pastifício Santa Amália, Riclan (fabricante do Pircóptero e drops Freegell’s), Cera Inglesa, Calçados Jacob (Kildere), Café Brasil, Balas Santa Rita entre outras grandes empresas que fizeram histórias de sucesso. Trabalhou em grandes agências de publicidade em Minas e na área política, como publicitário, assessorou as prefeituras de Uberlândia, Varginha e Divinópolis além de desenvolver e coordenar inúmeras campanhas políticas, das quais destacamos a eleição de Zaire Rezende (Uberlândia), Maurinho Teixeira (Varginha), Paulo Tadeu (Poços de Caldas), Galileu Teixeira (Divinópolis), Paulo César (Nova Serrana), Toninho André (São Gonçalo do Pará) além de vários deputados estaduais e federais. Léo Junqueira é consultor de marketing, compositor, violeiro, escritor e colunista do Jornal O Popular

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