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Editorial | Vereador não é “defensor do povo”
Existe uma confusão comum na política brasileira: a ideia de que o vereador é uma espécie de despachante de luxo, um intermediário de favores, alguém que “resolve” problemas individuais junto à prefeitura. Não é.
O vereador não foi eleito para ser defensor pessoal de ninguém. Não é advogado particular da população, nem gerente de bairro, tampouco chefe de setor do Executivo. Sua função é outra — e é essencial.
O papel constitucional do vereador é legislar e fiscalizar..
Legislar significa criar, discutir e votar leis que impactam a vida coletiva: mobilidade urbana, orçamento municipal, saúde, educação, infraestrutura. Fiscalizar significa acompanhar os atos do prefeito, cobrar transparência, analisar contratos, verificar gastos públicos e denunciar irregularidades quando necessário.
Quando um vereador se limita a pedir tapa-buraco, marcar consulta médica ou intermediar vaga em creche, ele pode até ganhar popularidade — mas está reduzindo a própria função. Isso é consequência de falhas na gestão pública, não missão do Legislativo.
A política municipal precisa amadurecer.
Vereador não é assistente social do gabinete. Não é distribuidor de benefícios. Não é ponte para favores. Quando assume esse papel, enfraquece a democracia e fortalece a cultura da dependência.
O cidadão também precisa compreender sua responsabilidade. Cobrar projeto, posicionamento, presença nas sessões, voto coerente. Perguntar:
— Quais leis você propôs?
— Como fiscalizou o orçamento?
— Como votou nos temas mais importantes?
Democracia não se faz com favor. Se faz com instituição forte.
Um vereador que atua como fiscal sério incomoda. Um vereador que legisla com responsabilidade transforma. Já o vereador que vive de intermediação cria dependência e perpetua o problema que diz combater.
A política municipal só evolui quando cada poder cumpre seu papel.
E vereador, definitivamente, não é defensor individual do povo.
É representante da coletividade.

