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Editorial | O Brasil refém do assistencialismo
O Brasil chega a um marco vergonhoso: o número de pessoas dependentes do Bolsa Família supera o total de trabalhadores com carteira assinada. Não é um detalhe estatístico. É o retrato explícito de um projeto de poder que fracassou — ou pior, que nunca teve como objetivo libertar o cidadão da dependência do Estado.
O governo celebra números que deveriam envergonhar qualquer nação séria. Em vez de priorizar emprego, produtividade e crescimento econômico, opta por ampliar benefícios como se isso fosse sinônimo de justiça social. Não é. É comodismo político travestido de política pública.
Dar comida a quem passa fome é obrigação moral. Manter milhões presos a um benefício sem criar caminhos reais para o trabalho é covardia institucional. O Estado entrega o peixe todos os meses, mas não ensina a pescar — porque ensinar a pescar exige esforço, reformas, enfrentamento de interesses e, sobretudo, coragem política.
O que se vê é o oposto: um país sufocado por impostos, burocracia, insegurança jurídica e um discurso ideológico que trata o empreendedor como vilão e o trabalhador como eternamente incapaz de caminhar com as próprias pernas. O resultado é previsível: menos empresas, menos empregos formais e mais dependência.
Esse modelo não combate a pobreza — administra a miséria. E administra de forma conveniente, pois quanto maior o número de dependentes, maior o capital político. Não se governa para emancipar, governa-se para manter sob controle. O cidadão vira estatística eleitoral, não prioridade nacional.
Enquanto isso, a informalidade cresce, a carteira assinada perde espaço e o país afunda em estagnação. O governo prefere anunciar recordes de programas sociais a enfrentar a dura realidade: sem crescimento econômico, não há justiça social possível.
Nenhuma nação se desenvolveu sustentando a maioria da população com auxílio permanente. Desenvolvimento exige trabalho, produção, educação técnica, indústria forte e liberdade econômica. Tudo o que este governo negligencia.
O Brasil não precisa de mais benefícios. Precisa de empregos de verdade. Precisa parar de tratar pobreza como ativo político e começar a tratá-la como um problema a ser eliminado — não perpetuado.
Assistencialismo sem porta de saída não é solução. É atraso. E o preço será pago por todos.

