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Editorial | Influenciadores sem diploma: o Senado erra o alvo

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A discussão que avança no Senado Federal sobre regular influenciadores digitais sem diploma nasce com uma intenção aparentemente nobre, mas segue por um caminho perigoso. Ao tentar impor critérios formais a uma atividade que é, por essência, livre e plural, o Congresso corre o risco de confundir responsabilidade com censura.

A internet não pediu licença para existir — e justamente por isso se tornou o maior espaço de expressão popular da história. Influenciadores surgiram porque pessoas passaram a confiar mais em vozes autênticas do que em títulos na parede. Transformar diploma em pré-requisito para falar a milhões não combate a desinformação; apenas cria um filtro elitista.

Não nos enganemos: diploma não é atestado de ética, nem de compromisso com a verdade. O Brasil conhece bem profissionais diplomados que mentem, manipulam e exploram o público. E também conhece criadores sem formação formal que informam, educam e prestam serviço público com mais responsabilidade do que muitos “especialistas”.

O problema real não é quem fala, mas o que é dito e com quais consequências. Para isso, o país já tem leis suficientes. Crimes existem — e devem ser punidos. O que falta é aplicação efetiva, não novas amarras.

Ao avançar nessa pauta, o Senado dá sinais preocupantes de desconhecimento do ecossistema digital e flerta com um modelo de controle que favorece grandes grupos, plataformas e intermediários, enquanto empurra criadores independentes para a ilegalidade. É o tipo de regulação que promete proteção, mas entrega silêncio.

O Brasil precisa de educação digital, transparência e responsabilização objetiva, não de carteirinhas para falar na internet. Qualquer tentativa de regulamentar opinião por diploma não fortalece a democracia — enfraquece.

Se aprovada como está, essa proposta não vai organizar o debate público. Vai empobrecer. E isso, definitivamente, não é o papel de um Parlamento que se diz defensor da liberdade.

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