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EDITORIAL | Festa ou prioridade? O dilema que sempre volta
Em praticamente toda cidade, a cena se repete: quando a prefeitura anuncia grandes festas, com shows de artistas renomados e estruturas grandiosas, parte da população reage com indignação. A crítica é direta — “como gastar tanto com festa enquanto faltam investimentos na saúde, educação e infraestrutura?”.
Mas, curiosamente, o cenário muda quando o poder público decide cancelar ou reduzir esses eventos. A pergunta então passa a ser outra: “onde foi parar o dinheiro da cultura?”.
Esse ciclo revela mais do que insatisfação — mostra uma falta de compreensão sobre como funciona o orçamento público.
Os recursos destinados à cultura, em muitos casos, vêm de verbas específicas, com destinação definida por lei, convênios ou fundos culturais. Ou seja, não podem simplesmente ser transferidos para áreas como saúde ou educação. Da mesma forma, há recursos vinculados obrigatoriamente à saúde e à educação, que não podem ser usados para eventos festivos.
Além disso, festas populares movimentam a economia local. Em cidades como Nova Serrana e região, eventos desse tipo geram renda para ambulantes, comerciantes, hotéis, bares e prestadores de serviço. É dinheiro que circula na cidade, gerando empregos temporários e fortalecendo o comércio.
Por outro lado, isso não significa que todo gasto com festas seja automaticamente justificável. A gestão pública exige equilíbrio, planejamento e, principalmente, transparência. É legítimo que a população questione valores, contratos e prioridades.
O que não pode é a crítica mudar de direção conforme a conveniência do momento.
Se há festa, questiona-se o gasto.
Se não há festa, questiona-se a ausência.
Talvez o caminho mais sensato não seja escolher entre ter ou não ter eventos, mas sim exigir responsabilidade: festas proporcionais à realidade do município, investimentos contínuos nas áreas essenciais e clareza sobre a origem e aplicação dos recursos.
No fim das contas, o debate não deveria ser “festa ou saúde”, mas sim “como fazer bem feito — tudo aquilo que é dever do poder público”.



