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Curiosidade

Delegacia de Formiga vira “Shopping da Beleza”

Israel Silveira

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Delegados deixavam inquéritos de lado para vender cosméticos, e crimes como homicídios prescreveram, segundo MP

Uma liminar da Justiça proibiu um casal de delegados de Formiga, no Centro-Oeste de Minas, de atuar numa empresa de cosméticos e de vender os produtos dentro da delegacia no horário de trabalho.

De acordo com a Ação Civil Pública (ACP) impetrada pelo Ministério Público (MP), de janeiro de 2015 a março de 2019, a delegada Maria Eduarda Lobato Leite não deu andamento nem conclusão aos inquéritos de sua atribuição, inclusive aqueles em que se apuravam delitos de homicídio, razão pela qual vários crimes prescreveram.

Nesse período, a delegada tirou dez licenças médicas, mas se afastou apenas das funções policiais e continuou trabalhando na empresa de cosméticos. “O policial civil licenciado para tratamento de saúde não poderá se dedicar a nenhuma atividade remunerada” , reforça o Ministério Público, lembrando a legislação que rege a atividade policial.

Desde 2015, segundo ação, a delegada vinha deixando de fazer os plantões na delegacia e mandando o marido no lugar dela. “Embora não fizesse os plantões, a delegada os indicava na folha de frequência e usufruía das folgas deles decorrentes”, diz a ação.

O delegado, além de ajudar a mulher a vender cosméticos, fazia entregas de produtos. A ação diz que a delegada ainda exerce atividade de digital influencer e ganha “presentes”, como viagens luxuosas, para divulgar produtos, lojas, marcas e serviços no perfil dela no Instagram.

Investigada por falsidade ideológica, policial teria adulterado o ponto

Além de pedir a condenação da delegada por improbidade administrativa, o Ministério Público a investiga por falsidade ideológica. “As investigações apuraram que ela ainda deixou de cumprir a carga horária na delegacia, mas continuou preenchendo as folhas de frequência como se a cumprisse integralmente, condutas que também estão sendo apuradas em Procedimento Investigatório Criminal”, informou o Ministério Público.

A Polícia Civil informou que foi notificada da Ação Civil Pública por intermédio da Corregedoria Geral. Disse, ainda, que não coaduna com conduta que afronte sua Lei Orgânica e que instaurou sindicância administrativa para apurar eventual conduta ilícita dos servidores na esfera disciplinar e/ou criminal.

Procurada pela reportagem, a delegada não tinha sido encontrada até o fechamento desta edição.

DECISÕES

A Justiça pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal dos delegados e que o casal não deve exercer qualquer atividade na empresa de cosméticos, ainda que nos horários de folga na polícia.

Determinou também que a delegada deve voltar à escala de plantões.

  • Fonte: Super Notícia

 

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