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Covid-19 suspende a adesão de novos usuários a tratamento conta HIV em MG

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Na próxima terça-feira, 01 de dezembro é “Dia Mundial de Luta contra a Aids”, e, em Belo Horizonte, quem faz parte das populações-chave da doença – para as quais o combate à transmissão do HIV falhou – terá que esperar, no mínimo, até março para ter acesso a uma das mais novas e eficazes estratégias de prevenção ao contágio, a chamada Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), criada com o intuito de diminuir o risco de infecção nas relações sexuais.

De acordo com o Ministério da Saúde, o uso da PrEP reduz em mais de 90% a chance de contaminação pelo HIV.

Na capital mineira, há apenas dois locais onde os interessados podem marcar a primeira consulta para participar da triagem e saber se estão aptos ou não a receber a medicação.

No Centro de Referência Orestes Diniz, na região hospitalar, as consultas ficaram suspensas de 18 de março a 23 de julho, devido à pandemia da Covid-19.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o restante do atendimento aos usuários já cadastrados, como a entrega de medicação, permaneceu normal. Contudo, a demanda reprimida ocasiona hoje uma alta procura.

Cedo para mensurar. Coordenadora do serviço de Saúde Sexual, ISTs, Aids e Hepatites Virais de BH, Cristiane Hernandes afirma não ser possível correlacionar a queda na taxa de incidência de HIV/Aids na capital – de 48 casos/100 mil habitantes em 2018 para 42,8/100 mil habitantes, no ano passado – com o PrEP, que foi implementado em 2017, mas ressaltou a importância do programa.

“A política de enfrentamento no Brasil reconhece que nenhuma intervenção isolada é eficiente para reduzir novas infecções, o que não diminui em nada a importância da PrEP. São estratégias combinadas que formam uma rede de proteção ao usuário”, diz.
Yuppiel Martinez, doutorando em infectologia e pesquisador da equipe da PrEP 15 a 19 anos, único projeto na América Latina a avaliar o uso da PrEP nesta faixa etária, levanta dois pontos cruciais.

“Buscamos a ampliação da PrEP de forma que o credenciamento avalie as vulnerabilidades das pessoas independentemente do grupo populacional. Não é porque você é hétero que não possa assumir comportamento de risco. Esse grupo, de 15 a 17 anos, principalmente quando não hétero, representa uma parcela muito vulnerável da população por diversas questões, que vão desde a invisibilidade pelas políticas públicas até a falta de acesso à informação”, conclui.

Usuário apoia a ampliação do serviço

O professor P.N., 37, tem um parceiro fixo do mesmo sexo e usa preservativo nas relações. Ele se tornou usuário da PrEP há dois anos como estratégia adicional de prevenção e aprova a iniciativa. “Penso que a questão da ampliação deve ser pensada, sim. No entanto, em um primeiro momento e por uma questão de limitações do sistema, devemos garantir o acesso a um grupo historicamente mais afetado pelo vírus”, prioriza o professor.

FONTE: Por IZABELA FERREIRA ALVES –  O TEMPO

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