Economia
Café produzido a partir de fezes da ave jacu, chega a R$ 1.530 o quilo
Produto exótico ganha mercado de luxo e pode custar até seis vezes mais que cafés especiais premiados no Brasil
O que antes era motivo de preocupação para produtores rurais se transformou em uma oportunidade altamente lucrativa no interior do Espírito Santo. Há quase duas décadas, a presença da ave conhecida como jacu nas lavouras de café passou de praga a aliada na produção de um dos cafés mais caros do país.
Na fazenda Camocim, os grãos consumidos e posteriormente expelidos pelo pássaro são coletados manualmente e passam por um rigoroso processo de higienização, que inclui até etapas de congelamento. O resultado é um café considerado exótico, comercializado por R$ 1.530 o quilo — valor muito acima da média do mercado. Um pacote de 250 gramas pode chegar a R$ 382.
☕ Comparação com o mercado tradicional
Para efeito de comparação, a saca de 60 quilos do café arábica — o mais produzido no Brasil — varia entre R$ 1.700 e R$ 1.900, dependendo da região produtora.
Mesmo entre cafés especiais premiados, o produto se destaca. Em dezembro, durante o leilão do Cup of Excellence Brazil 2025, organizado pela Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), 30 lotes vencedores arrecadaram cerca de R$ 1,79 milhão, com média aproximada de R$ 250 por quilo.
Isso significa que o café do jacu pode custar até seis vezes mais do que alguns dos melhores cafés especiais do país.
📊 Mercado de cafés especiais em alta
De acordo com dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), divulgados nesta segunda-feira (13), os embarques de cafés especiais registraram, em março, preço médio de US$ 451,56 por saca, o equivalente a cerca de R$ 2.250 na cotação atual.
O crescimento do segmento mostra a valorização de produtos diferenciados e de alto padrão, impulsionados tanto pela exclusividade quanto pelos processos únicos de produção — como é o caso do café do jacu.



