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Editorial

“Ai do mundo por causa dos escândalos”

Israel Silveira

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Sempre questionamos aqui nos editoriais a infeliz e perigosa relação entre a política e a religião. Em um meio onde a sujeira paira absoluta sobre os valores morais, onde um indivíduo não muda, mas se corrompe pelo sistema, alimentar a relação entre fé e sistema não é nada salutar.

Em Nova Serrana essa relação é alimentada aos montes. Um monte de religiosos se liga a questões politicas e com um cabresto, é impedido de olhar para os lados e enxergar que o mundo ao seu redor não é simplesmente puro, e que as obras do diabo, são cometidas, nesse caso, também por pessoas “enviadas por Deus”.

Sempre afirmamos que o discurso moralista da fé, não condiz com os corredores da política, até porque, mais cedo ou mais tarde, o sistema terá um impacto sobre as decisões e dai, restará aos espirituosos duas opções, ou deixar o sistema político, ou se tornar parte dele.

O problema é que aqui, em Nova Serrana, como nunca antes, o meio político foi exposto, e as podridões foram jogadas no ventilador, e dessa vez, os religiosos foram atingidos, não por acusações, mas por máculas que eram escondidas, ignoradas, mas agora, o discurso da moralidade e inocência, já perdeu o valor, e quem se divulgava puro em suas ações, foi exposto por suas próprias decisões.

Quando o pastor se torna político, ele se mistura com parte do que se tem de pior na sociedade e se não esquecesse algumas partes cruciais da bíblia, talvez optaria por se manter longe desse sistema.

A Palavra de Deus já diz no livro de São Mateus, capítulo 18, verso 7: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”. E nesse sentido pensamos, e se os escândalos vierem de quem tem que ser a imagem e semelhança de Cristo?

Bom, em nossa política temos vários fatos envolvendo religiosos, mas nesta edição expomos denúncias graves referentes a lideres religiosos, que são vereador e assessor, pastores, amigos, que agora foram denunciados por prática de falsificação de documento, recebimento ilícito de dinheiro público, sem falar da manipulação e mudança das leis, para beneficiamento próprio.

Sendo culpados ou inocentes a justiça, “caso chegue até ela”, decidirá por isso, mas o problema é que diante da mancha, é praticamente impossível que a confiança seja reestabelecida sem que se tenha pensamentos dúbios sobre as condutas e decisões.

Sinceramente, acompanhando os trabalhos políticos como somente este Popular faz, imaginaríamos que qualquer um fosse alvo de dúvidas e denúncias desse porte, mas não Pr. Giovani Máximo e seu assessor Pr. Elder Santos.

Caindo no erro de avaliar a condição religiosa, esquecemos que errar é humano, mas quem quer acreditar que pessoas que tem tão alto discurso moral, se subjugam a condição tão precária e fútil de beneficiamento. Como imaginar que apenas uma semana de trabalho, seja o suficiente para se tornar objeto de conduta lasciva.

Na bíblia tem o exemplo de quem trocou sua primogenitura por um prato de lentilha, aqui vemos duas pessoas de bem, trocando a sua paz, por danos ao erário e o problema é, quem garante que foram episódios únicos, quem garante que outros erros maiores não foram cometidos.

Já diziam os mais sábios, não se tropeça em pedra grande, mas sim nas pequenas que estão pelo caminho, e observando as verdades das palavras, não estamos ou devemos subjugar os escândalos políticos sem que a justiça faça a sua parte, mas sendo de fato constatado, ou confessado (sendo uma conduta mais honrosa por quem prega a moral) que as consequências sejam aplicadas.

Aqui queremos ainda deixar claro que a balança da justiça deve ter pesos iguais para todos os fardos. Na Câmara tentando justificar os acontecimentos, o que se faz é tentar apurar quem vazou os documentos secretos, como se a publicidade do fato fosse algo doloso, relevante, diante da gravidade dos fatos que ficaram ocultos naquela casa.

Se tudo não for muito bem esclarecido, sendo imputado as devidas medidas a quem “lesou o município”, ou sendo esclarecidos os fatos, mostrando a legitimidade clara da inocência, seguiremos duvidando do antigamente nobre, mas agora pobre, para não dizer podre poder legislativo municipal.

Se tudo não for muito bem esclarecido, dificilmente vamos tirar de nossas mentes as palavras de Bezerra da Silva, já que em nossa política o que não falta são religiosos de gravata, falando em nome de Deus mas, agindo com influencia do diabo.

“Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente, é o diabo vivo em figura de gente é o pastor trambiqueiro enganando inocentes” –  Bezerra da Silva

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