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Editorial

A prematura morte da chamada democracia!

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No último domingo um fato inusitado mostrou o quanto estamos vivendo um momento tão único quanto desesperador no que diz respeito a política nacional.

Em uma social regrada pela família de amigos, truco, comida e debate sobre futebol, surge em meio a roda o tema eleições e dai para frente o que era um encontro familiar se transformou em um embate entre esquerda, direita e muita gente alienada.

Como não podia ser diferente, cada um dos partidaristas tem suas verdades que são absolutas até mesmo sobre as do coleguinha e dai os argumentos e “diálogo” tomaram uma proporção que nos deixaram boquiabertos.

Na mesa tinha pedreiro, costureira, dona de casa, gerente, segurança, eletricista, advogado, jornalista, marceneiro, farmacêutico, professor e estudante, e acreditem, todos manifestaram opiniões e argumentos que beiram o ridículo.

Bolsonaro, Haddad, eleições fraudadas, bandido tem que ser morto, pelo bem da família, homossexualismo é falta de orientação entre pai e mãe, cada um usa o corpo como quer, aborto, Donald Trump, minha casa minha vida, Lula Ladrão, Lula Herói, Dilma senadora e sexualidade de político foram apenas alguns dos temas que surgiram em um roda onde cada um falava mais alto do que o outro.

Pelo lado das militâncias, que eram muito bem identificadas, seus argumentos deixaram de ser em prol da defesa de um raciocínio e passaram a ser direcionados para agressões pessoais aos coleguinhas que pensavam de forma diferente.

Cada pensamento passou a ser utilizado como um dedo apontado na cara do outro, expondo mais do que seu pensamento político, mas a certeza de que se você defende certo posicionamento é porque você compactua com “falhas de caráter”, de tal frente política.

Os da direita afirmavam que quem apoia a esquerda é homossexual, quer o bem de bandido e está pouco se lixando pela preservação da moral.

Já os da esquerda por sua vez, afirmam que fascismo ou tantos outros ismos estão prestes a chegar no Brasil com a eleição de candidatos que vão matar os homossexuais, as mães solteiras serão jogadas na sarjeta e claro, os pobres serão massacrados quase que como um controle populacional.

Todo esse ódio espontâneo se deu em um grupo de amigos, onde cada um ao ver seu pensamento ser de forma racional derrubado, passou a levar suas perspectivas para o pessoal e dai chamar de “safada”, de “viado”, de agressor da esposa ou coisas semelhantes foram detalhes, que claro ficaram restritos apenas ao posicionamento político.

Por fim como de costume, ambos os lados afirmavam, “se não vencermos essas eleições é porque as urnas são fraudadas”, e aqui até acreditamos que crimes assim podem acontecer afinal estamos no Brasil, mas o discurso do derrotado já plaina e por incrível que pareça, por todas as frentes políticas.

Tudo isso que realmente aconteceu neste fim de semana em nossos grupos familiares é exatamente o reflexo do que vivenciamos nas ruas, nas redes sociais, nas rodas de debata faltando poucos dias para o pleito eleitoral.

E diante de tudo que estamos vivenciando, observado e percebido, nosso senso emocional é alimentado por uma sensação de desespero, tristeza e derrota.

Por anos sonhamos em ver o Brasil um país politizado, e quando isto está prestes a se realizar, percebemos que nos tornamos um país doutrinado e tão alienado quanto nos tempos do analfabetismo.

A sensação que temos é de completa desesperança, afinal, a briga entre o bem e o mal será levada adiante após o pleito e pela intolerância e doutrinação política, tememos pela prematura morte da chamada democracia.

Estamos torcendo para que tudo isso acabe neste fim de semana, mas isso não passa de uma esperança boba afinal, a doutrinação vem sendo feita e pelo visto, independente de qual lado ganhar essas eleições, o sentimento de que todos seremos derrotados é maior a cada dia e constatado a cada postagem e debate que vemos na internet, ou no dia a dia do “cidadão” brasileiro.

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