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A maldição do torresmo

Léo Junqueira

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Apesar das incansáveis restrições médicas ao torresmo, muita gente também condena “essa gostosura” gordurosa ao inferno, com o apoio, quase unânime de nutricionistas.

Um torresminho bem feito é a combinação perfeita para uma cervejinha gelada ou uma pinga, com ou sem limão. Torresmo com tropeiro ou com tutu de feijão é um prato saboroso e um dos destaques da culinária mineira.

Seja grande, médio ou pequeno, o torresmo sempre faz o contraste de sabores ficar mais sofisticado sem que a gente perceba. Ele é tão pecaminoso quanto a própria “Gula” no seu status mais pleno de pecado capital.

Mas, o torresminho é malvado com algumas pessoas, que como eu, manda às favas a dieta, o regime, os conselhos médicos e proibições, porque é impossível comer um só.

Outro dia, numa manhã de sábado com muito sol, reunido com um grupo de amigos acompanhado de uma viola bem tocada e cerveja gelada, vivi uma experiência quase indigesta com apenas um torresmo, que se misturava a outros numa cumbuca de barro bem servida.

Quero contar o acontecido para que seja uma advertência a todos que passaram dos 45 anos e se acham acima de todos os perigos.

A mesa estava completa com amigos de longa data. As músicas variavam de Renato Russo a Ataulfo Alves, passando por Titãs e sertanejos variados. Coloquei o violão de lado e busquei meu copo de cerveja sobre a mesa esticando o olhar até um lindo e corado torresmo, que parecia acenar de dentro da cumbuca chamando minha atenção entre todos os outros.

Lentamente, por uma questão de educação e etiqueta, fui buscá-lo com a ponta dos dedos e senti sua textura ainda quente naquela parte da pururuca. Um pequeno sopro para não queimar a boca e logo senti o prazer daquele sabor maravilhoso.

Acho que o torresmo esperava um pouco mais de delicadeza da minha parte, mas não resisti e taquei logo uma mordida naquela delícia.

“Croock!”… Esse foi o roído que veio da minha boca, rodou por toda a minha cabeça e deixou um estranho pedaço de dente na minha língua, que teimava em escorregar de um lado a outro se misturando ao torresmo criminoso.

Tentando manter a serenidade de forma a não deixar que as pessoas da mesa percebessem o “estilo cavalo velho assustado” na minha cara, consegui sutilmente pegar o pequeno pedaço de dente (que dentro da boca parecia um tijolo) e o escondi na mão.

Por vingança engoli o danado do torresmo de uma só vez o mandando para o “quinto dos infernos e suco gástrico” no meu estômago. Ainda fiquei um pouco sem jeito, com medo de sorrir, porque não sabia onde realmente acontecera aquela agressão bucal, mas consegui refletir sobre a intenção daquele torresmo maldito, traidor, apesar de sedutor.

Primeiramente, pensei se eu era a única pessoa na face da terra a passar por tal constrangimento em pleno lazer de um sábado. Em seguida, tentei adivinhar que mal eu fiz àquele pequeno torresmo e finalmente, tentei perdoar “a mãe” dele por tudo que pensei e praguejei naqueles eternos segundos.

Como diz minha mãe, nada está tão ruim que não possa piorar! E logo a turma da mesa chamou para voltar à cantoria. Pior: todos me olhavam esperando os primeiros acordes, enquanto eu ainda pensava onde colocaria o pedaço do dente: se na mesa mesmo, se jogava no chão ou se engolia o desgraçado!

Meus amigos! Eu precisava escrever sobre isso, porque imagino que possa estar salvando muitos leitores sobre a “maldição do torresmo”. Hoje, alinho esse momento a outros comuns no dia a dia das pessoas, como soltar gases em público sem querer ou sem controle, tropeçar e esborrachar no chão à frente daquela paquera especial ou comer algo excessivamente apimentado sem nada pra beber por perto.

Todas as situações são perversas com a nossa estima. Mas, quanto ao torresmo podemos nos prevenir e escolher sempre o menor naco, morder calmamente em seus pontos mais macios sem perder a pose.

E aos torresmos que ainda virão tenho a dizer apenas mais uma coisa:

“- A mãe de vocês é uma porca!”

LEONARDO VELOSO JUNQUEIRA é daqueles publicitários da época romântica, quando a comunicação ainda era feita com base no talento criativo. Foi sócio fundador da Insight Comunicação durante 22 anos prestando serviços de comunicação e marketing a grandes empresas, como Pastifício Santa Amália, Riclan (fabricante do Pircóptero e drops Freegell’s), Cera Inglesa, Calçados Jacob (Kildere), Café Brasil, Balas Santa Rita entre outras grandes empresas que fizeram histórias de sucesso. Trabalhou em grandes agências de publicidade em Minas e na área política, como publicitário, assessorou as prefeituras de Uberlândia, Varginha e Divinópolis além de desenvolver e coordenar inúmeras campanhas políticas, das quais destacamos a eleição de Zaire Rezende (Uberlândia), Maurinho Teixeira (Varginha), Paulo Tadeu (Poços de Caldas), Galileu Teixeira (Divinópolis), Paulo César (Nova Serrana), Toninho André (São Gonçalo do Pará) além de vários deputados estaduais e federais. Léo Junqueira é consultor de marketing, compositor, violeiro, escritor e colunista do Jornal O Popular

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