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Editorial

A estruturação do racismo!

Israel Silveira

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Vivemos em uma sociedade que literalmente não tem noção do quanto há de errado enraizado em sua história. Vivenciamos questões com a maior naturalidade do mundo e lidamos com problemas sociais que de tanto que se tornam habituais em nosso dia a dia, passamos a não mais los entende como algo errado.

A coisa ficou preta, quando nos últimos dias, aqui no Brasil um negro foi morto com câmeras filmando todo o ato, assim como ocorreu com G.Floyd, nos EUA. Mas não dizíamos que por aqui as coisas eram diferentes?

Pelas coxas foi feito um serviço porco de segurança e controle de uma pessoa, que por mais que tivesse agredido, com ou sem razão os seguranças, os homens que são contratados para ser a lei, não podem exceder o seu poder e perder o seu norte.

A escuridão de nossos pensamentos se encontra na justificativa do ato, que dificilmente teria o mesmo fim se um branco fosse o cliente, o agressor.

Mesmo ao denegrir o estabelecimento, ou até mesmo a índole do segurança, funcionário ou até mesmo policial, não se podia dar com pau, na moleira do negrinho, que do nada passou de um agressor e se tornou a vítima.

Dai começou o samba do crioulo doido, um bando de vítimas de meia tigela, passaram a provocar um escarcéu, com ou sem motivo se moveram em uma série de protestos, passaram a quebrar, ter sua voz sendo levada, na base da pancada, na base da briga, na base da marra.

Sim, você deve estar falando que isso na verdade se deu por um serviço de preto, muito mal feito pelos seguranças, e tal fato não deveria ser incumbindo sobre a rede de supermercado. Mas você viu o próprio CEO do Carrefour, falando que isso é algo que está muito além de sua compreensão de homem branco privilegiado? Pedindo perdão aos negros pela forma como o fato ocorreu.

O supermercado não se fez de vítima, não atacou os protestos, ele se desculpou por ter sido parte de um episódio que nem mesmo eles têm capacidade de mensurar.

A coisa literalmente fica preta quando percebemos que a negrinha de traços finos, deve ser modelo, mas não pode ser CEO, médica, engenheira, não pode ser tratada como alguém além de sua cor da pele.

Tudo fica mais difícil quando descobrimos que a cada três policiais mortos no Brasil, dois deles são negros e as coisas não param por ai. De acordo com o Atlas da Violência 2017, a população negra também corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios.

Segundo o IBGE, mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos, sendo que a cada dez pessoas, três são mulheres negras. Em média, os brasileiros brancos ganhavam, em 2015, o dobro do que os negros: R$1.589, ante R$898 mensais e estudos apontam que apenas em 2089, brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil.

O feminicídio, isto é, o assassinato de mulheres por sua condição de gênero, também tem cor no Brasil. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%, ao passo que o índice de feminicídios de brancas caiu 10% no mesmo período de tempo.

Homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, de acordo com informações do Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência.

Se todos estes dados que justificam a percepção de que tem algo errado com a sociedade e não com sua postura como cidadão, temos que ser agressivos e dizer que você leitor, o racismo estrutural, pode estar claramente enraizado em sua naturalidade diante das práticas infelizes praticadas em nossa sociedade.

Afinal, ao longo desse texto, uma série de expressões racistas foram usadas, as quais se você chegou até aqui e não se atentou para isso, de fato, você infelizmente é mais racista do que a sua consciência branca pode aceitar.

Finalizando, deixamos aqui a definição do tão falado racismo estrutural: É essa naturalização de ações, hábitos, situações, falas e pensamentos que já fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial.

Um processo que atinge tão duramente — e diariamente — a população negra. No cotidiano da sociedade brasileira estão normalizadas frases e atitudes de cunho racista e preconceituoso. São piadas que associam negros e indígenas a situações vexatórias, degradantes ou criminosas. Ou atitudes baseadas em preconceitos, como desconfiar da índole de alguém pela cor de sua pele.

Jornalista - 11407 MTb - Editor chefe do Jornal O Popular

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