Cultura
A carteirinha que ainda me apresenta ao passado
O ano era 1980.
Naquele tempo, uma simples carteirinha estudantil cabia inteira no bolso e carregava muito mais do que um nome e uma foto em preto e branco. Ela guardava sonhos.
A 1ª série do 2º grau começava no Centro Cívico Santos Dumont, na Escola Estadual Zico Tobias, em Luz, Minas Gerais. O papel amarelado, hoje marcado pelo tempo, ainda sustenta a seriedade do rosto jovem, o corte de cabelo típico da época e a assinatura que validava não só a matrícula, mas também a esperança de um futuro melhor.
A foto não sorria — quase ninguém sorria em documentos —, mas por trás daquele olhar havia curiosidade, medo, vontade de crescer e de conquistar o mundo. A carteirinha era apresentada com orgulho na entrada da escola, nas provas, nos eventos. Era um símbolo silencioso de pertencimento: “eu estudo aqui, eu faço parte disso”.
Hoje, ela já não abre portas nem comprova série alguma. Mas segue sendo uma chave da memória. Ao tocá-la, voltam o cheiro do caderno novo, o barulho do recreio, os corredores cheios, os professores exigentes e os colegas que o tempo espalhou pelo mundo.
Não é apenas um documento antigo.
É um retrato de quando tudo estava começando.
É a lembrança de um menino que ainda não sabia exatamente quem seria — mas já estava a caminho.
- by Israel Silveira

