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A banda larga da gratidão

Léo Junqueira

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Venho notando um crescimento muito grande das mensagens motivacionais nas redes sociais.

Acho muito bom que as pessoas comecem a usar seus canais de comunicação para a troca de mensagens mais otimistas, menos moralistas ou sensacionalistas. Já tivemos a fase daquelas mensagens com cadáveres, corpos mutilados e tanto sangue, que parecia escorrer das telas dos smartfones, tablets, computadores e notebooks.

Outra fase interessante foi aquela das fotos fazendo “biquinhos”, quando dragões da feiúra se misturavam às beldades vaidosas de rostinhos angelicais. Passamos, também, pelas intermináveis correntes religiosas e aquelas ameaçadoras, tipo: “envie para 20 amigos em 5 minutos ou uma desgraça vai acontecer.”

O humor não foi esquecido e a perversidade acompanhou a evolução tecnológica da comunicação colocando a palavra “fakenews” no nosso dicionário virtual. Às vezes penso que não estamos preparados para esse tipo de tecnologia, mas me lembro do desenho animado dos “Jacksons”, exibido nas décadas de 60 e 70 e me sinto aliviado, por ainda não estar voando em pequenas espaçonaves pelo trânsito urbano há dezenas de metros de altura.

Nesse tempo aprendi muitas coisas consideradas uma evolução natural da comunicação digital, como por exemplo, “você = vc, kkkk = risadas” e por aí seguem as novidades com algumas “carinhas” que não entendo ainda. Tudo parece ser feito para estreitar as relações, criar afinidades, aumentar o número de amigos, mas infelizmente não é isso que vejo.

Tive uma enteada que exibia orgulhosamente uma relação de milhares de amigos/seguidores no Facebook e instagran, porém os amigos visíveis (não sei se verdadeiros) cabiam nos dedos de uma só mão. Tive uma companheira, que trocou o diálogo e a conversa pessoal pelo malabarismo de “teclar” com duas, cinco ou mais pessoas durante o dia e a noite.

Creio que tudo isso faz parte da coisa chamada “mundo novo”, que na verdade apresenta velhos problemas. Alguns dados estatísticos (também postados nas redes sociais) mostram valores transformados, casamentos em crise, separações, amores falsos travestidos de verdadeiros em “Tinders” da vida, aumento de consumo de drogas (tradicionais, químicas e sintéticas), violência estúpida movida pela intolerância e muita gente sacrificando o leite das crianças por um celular mais sofisticado.

O velho “Orelhão” virou paisagem obsoleta e cada pessoa possui seu celular tecnologicamente adequado aos dias de hoje. O Netflix acabou com os canais de vídeos e filmes, o You Tube está liquidando com livros e jornais e o Google daqui a alguns dias poderá ser canonizado pelo Vaticano e receberá a definitiva titularidade de “São Google, o Santo dos Preguiçosos Desesperados”.

É claro que eu poderia ficar aqui “teclando” centenas de palavras para me fazer entendido. Mas, prefiro encerrar essa coluna com uma observação sobre um outro tipo de postagem, ao meu ver, pode estar mexendo com o sentimento das pessoas e fazendo com que elas se manifestem.

Para nossa pretendida salvação a palavra “gratidão” está sento lembrada e usada mais vezes. A gratidão está começando a ser divulgada, dita e postada e vejo as pessoas se acostumando a repeti-la. Sei que muita gente nem imagina o real significado da palavra ou o que ela pode representar. Mas vou tentar ajudar aos menos preparados: – “a gratidão é algo divino e muito maior que qualquer bem conquistado. A gratidão é um sentimento que precede e antecedo o amor, a compaixão, a solidariedade, ao sorriso, à ternura e ao afeto. A gratidão é aquilo que esperamos por muito tempo para receber, mas não aprendemos a entregar este sentimento por segundos, apenas!”

Por isso, encerro esta coluna com toda a gratidão a todos os amigos, colunistas e participantes deste Popular. Sou grato à vida por me mostrar caminhos que não imaginava existirem. Sou grato por todos os idiotas e imbecis, pois com eles aprendi muito sobre a compreensão. Sou grato a traições, humilhações, desprezos e indiferenças, pois só aprendi sobre o respeito próprio e aos outros após sentir na carne os efeitos da violência disfarçada.

E finalmente sou grato a tudo e a todos simplesmente pelas suas existências, sejam gordos ou magros, bonitos ou feios, religiosos ou céticos, ricos ou pobres, louros ou morenos… Estejam na minha vida ou fora dela! Sou muito grato a todos vocês!

LEONARDO VELOSO JUNQUEIRA é daqueles publicitários da época romântica, quando a comunicação ainda era feita com base no talento criativo. Foi sócio fundador da Insight Comunicação durante 22 anos prestando serviços de comunicação e marketing a grandes empresas, como Pastifício Santa Amália, Riclan (fabricante do Pircóptero e drops Freegell’s), Cera Inglesa, Calçados Jacob (Kildere), Café Brasil, Balas Santa Rita entre outras grandes empresas que fizeram histórias de sucesso. Trabalhou em grandes agências de publicidade em Minas e na área política, como publicitário, assessorou as prefeituras de Uberlândia, Varginha e Divinópolis além de desenvolver e coordenar inúmeras campanhas políticas, das quais destacamos a eleição de Zaire Rezende (Uberlândia), Maurinho Teixeira (Varginha), Paulo Tadeu (Poços de Caldas), Galileu Teixeira (Divinópolis), Paulo César (Nova Serrana), Toninho André (São Gonçalo do Pará) além de vários deputados estaduais e federais. Léo Junqueira é consultor de marketing, compositor, violeiro, escritor e colunista do Jornal O Popular

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