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ONG Arca de Noé usa a tribuna da Câmara Municipal, busca parceria para trabalho feito no município e expõe problemas no Centro de Controle de Zoonoses

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Durante a reunião ordinária da última terça-feira, dia 23 de junho, a tribuna livre contou com a participação da Organização Não Governamental (ONG), de Nova Serrana,  Arca de Noé, que além de realizar importantes considerações sobre cães e gatos na cidade, expôs problemas referentes ao Centro de Controle de Zoonoses buscando e visando em melhorias para a unidade e fez pedidos a administração municipal.

A ONG que tem como foco o trabalho de proteção à vida animal, durante o uso da tribuna salientou a importância principalmente da castração dos animais abandonados nas ruas de Nova Serrana.

“Nós da Arca de Noé amamos animais e andando pelas ruas verificamos que esse é um problema recorrente na cidade e sem a castração a condição dos animais abandonados vai piorando muito”, relatou a oradora Luana da Costa, acrescentando que cada cadela tem duas ninhadas por ano e em cada ninhada são gerados cerca de seis a onze filhotes.

Pedido de cessão da sala de cirurgias

Durante as falas de Luana foi citado o exemplo dos bairros Morada Nova e Cidade Jardim, onde a ONG catalogou 32 animais abandonados, dentre os quais 20 são fêmeas. Levando em consideração que cada uma terá duas ninhadas por ano com até 11 filhotes, a probabilidade é de que nesse período poderá haver aproximadamente 400 animais abandonados nas ruas desses bairros, caso não haja uma intervenção cautelosa.

“Atualmente em nosso trabalho levamos os cães para castrar na cidade de Bom Despacho, isso inclui despesas e uma logística, e como ONG não contamos com aporte financeiro do município, nossa receita vem de doações, rifas, trabalhos feitos pelos membros, mas Nova Serrana tem um local para efetuação de castrações e sendo assim, gostaríamos de pedir a colaboração de todos para que tenhamos a autorização para usar a sala de cirurgia do Centro de Zoonoses para realizarmos as castrações”.

Conforme ponderado, além do cadastro dos animais nos bairros a ONG também faz o trabalho de aplicação de contraceptivos nas fêmeas de maior porte e, faz uma seleção de três para castração. A castração ocorre em Bom Despacho com o auxílio da “Bicho Amigo”, os voluntários arcam com as despesas, inclusive com o transporte.

Seguindo Luana trouxe uma solução para o problema do pós cirúrgico o que é uma dificuldade quanto a viabilização dos procedimentos. “Se pudermos usá-la (sala de cirurgia) nos mobilizaremos quanto ao veterinário, anestesia, além de trabalharmos para que os moradores dos bairros possam cuidar dos animais no pós-cirúrgico e se tornarem ‘famílias amigas dos animais’”. Destacou.

Outra solicitação

A ONG também solicitou uma parceria com a Escola do Legislativo da Câmara de Nova Serrana para um trabalho de conscientização quanto ao abandono de animais. O objetivo é levar o maior número de informações sobre a necessidade dos animais, cães e gatos, porque eles não conseguem pedir ajuda por si.

Para manter o trabalho a ONG Arca de Noé vive de doações, rifas, basares e, certamente a ajuda de todos que podem contribuir será bem vinda. A meta deles é a construção de um Centro de Recuperação de Animais com de até 200 m2 e maquinário adequado para futuramente formar jovens em condição de rua para trabalhar com esses cães e torna-lo cães de terapia, que são aqueles que acompanham os seus tutores em vilas, hospitais, APAEs e similares.

“Existem diversos hospitais no Brasil inteiro que usam o cão como forma de curar diversos males, incluindo a depressão, por compartilharem carinho e servirem de alento às pessoas que estão passando por momentos difíceis”, destacou a oradora afirmando que seria uma ótima forma de trabalhar conjuntamente com os jovens em situação de rua e com os animais abandonados e, ao mesmo tempo, ajudar a sociedade.

Problemas no centro de Zoonoses

Nas falas da representante da ONG arca de Noé foi ainda exposto problemas que vem sendo encontrados pela instituição no Centro de Zoonoses do município.

Entre os pontos denunciados, estão o trato ao realizar a higiene dos canis, onde os cães ficam molhados e com frio, superlotação dos canis e até mesmo quanto a qualidade da ração disponibilizada, o que conforme denunciado causa diarreia em parte dos animais e até mesmo a convivência de cães saudáveis com animais mortos.

“Não consigo mais ir ao Centro de Zoonoses que saio de lá chorando todas às vezes porque é muito triste. Lá não cabe mais nenhum cachorro, está lotado”. Disse a oradora.

Para nossa reportagem, Luana ainda fez questão de ressaltar que, “não é objetivo relacionar o nome da ONG com denúncias e polêmicas, as falas são no sentido de buscar melhorias para a cidade, para os animais, para a população que vive nas proximidades da unidade e convive com situações consequentes dos problemas presenciados no centro de zoonoses”.

Centro de Zoonoses

Nossa equipe compareceu ao centro de zoonoses na última quarta-feira e foi prontamente atendida pelo Médico Veterinário Emerson Silva Bagrinho. Que ponderou “primeiramente a população precisa saber o que é o centro de controle de zoonoses, é um órgão vinculado à secretaria de saúde que existe para prevenir as doenças zoonoticas, que pode ser transmitidas para os seres humanos ou vice e versa, então os animais que nós fazemos investigações são suspeitos de leishmaniose, sarnas, toxoplasmose, cinomose, febre amarela, febre maculosa, tudo isso controlamos e focamos no trabalho destas doenças”.

Segundo o veterinário, “o centro de controle de zoonoses não tem obrigação e realizar consultas, clinicas veterinárias, se o animal foi atropelado, se está com diarreia o centro não tem obrigação e fazer atendimento a esse animal, só que, a população entende que porque tem um veterinário aqui, acha que o veterinário tem que cuidar do cachorro aqui”.

Foi também exposto que “outro trabalho realizado é abrigar animais oriundos dessas doenças, por isso existe o canil, animais bravos, só que a população acha que o canil é para guardar cachorro, acha que o centro é para tratar doenças de cachorros, nesse caso vá para uma clinica veterinária, o Centro de Controle de Zoonoses não tem obrigação nem condição de fazer isso”.

Quanto à castração Emerson explicou que “em parceria o responsável pela castração seria a Secretaria de Meio Ambiente, porém isso é agregado ao Centro de Controle de Zoonoses. Temos desde 2013 um projeto para castração em Nova Serrana, foram feitas algumas mudanças pela atual gestão, ao qual adquirimos equipamentos, reformamos a sala, mas fica a questão: quais animais vamos castrar? Porque o x da questão é vai castrar o animal de rua? ele vai voltar para a rua, vai castrar o animal da população carente? Essa população tem condição de tratar e manter esse animal? Assinamos um termo com o Ministério Público (MP) para começarmos as cirurgias, começamos em janeiro e fevereiro um estudo para iniciar as cirurgias, só que veio a pandemia. Foram procedidos serviços através do castra móvel, essa sala cirúrgica ficaria como apoio”.

O veterinário também expôs que “a população acha que o centro de controle de zoonoses tem que recolher todos os animais soltos na rua, o MP fez um estudo no qual um animal está no ambiente por três motivos, agua abrigo e comida, se ele não encontrar isso vai embora, e se for retirado desse local, outro vai migrar pra esse local, por isso é necessário fazer a castração”.

Finalizando ele apontou que “a situação é a seguinte. Não recolhemos animais na rua, precisamos começar a castrar esses animais de rua, mas quem vai fazer o pós-cirúrgico? O centro de Controle de Zoonoses não é abrigo para animais, só que a população acha que é, estão acabando de abandonar dois animais aqui, e isso é diariamente. A alimentação acontece amanhã e a tarde, água servida a vontade, qualidade de ração me desculpa. Se o animal comeu ele da diarreia, se ele comeu muito ele pode dar a diarreia. Os animais que tem respaldo por lei sacrificamos, com indicativo de sacrifício e laudo veterinário, um outro fator a aglomeração não tem como, se eu não acolher os animais eles soltam na porta, vão para a rua e causam um acidente”. Finalizou.

Prefeitura

Diante dos fatos expostos durante o uso da tribuna, nossa reportagem entrou em contato com a administração municipal, solicitando as considerações do executivo de Nova Serrana que foram respondidas pelo setor de comunicação.

Conforme repassado o Centro de Controle de Zoonoses, atualmente conta com um total de 08 profissionais, sendo: 01 Médico veterinário – Coordenador, 01 recepcionista, 01 auxiliar administrativo, 02 serviços gerais, 01 capturador de animais e 02 vigias.

Quanto as falas relacionadas a problemas presenciados no local, o executivo relatou que ainda não foi notificado. “Até a presente data, não fomos notificados por nenhuma denúncia formal sobre qualidade de ração/manutenção de animais. Explicamos que as rações e demais itens de alimentação para o Centro de Zoonoses são adquiridos através de processo licitatório, onde está descrito as especificações necessárias desses insumos como, por exemplo: a porcentagem de proteínas, minerais, cálcio e fósforo”.

Já relacionado a sala de cirurgia, que ainda não teria sido inaugurada, a prefeitura afirmou que “na oportunidade, informamos que como forma de normatizar o controle das populações de cães e gatos, o município alinhou com Ministério Público, através da assinatura de Termo de Compromisso, a implantação de um programa de controle populacional ético e humanitário de cães e gatos em área urbana. Dentre as ações, está a aquisição do veículo castra-móvel, cujo processo licitatório já foi realizado/concluído. Esclarecemos que devido ao cenário epidemiológico, não foi possível executar e dar andamento as castrações. Estamos aguardando por parte do Ministério Público Estadual, os próximos passos para a implantação desse novo serviço, que será a capacitação da nossa equipe para a realização das cirurgias”.

Finalizando, quanto a concessão da sala de cirurgia para a ONG Arca de Noé, a prefeitura salientou que “esta ONG já teve um primeiro encontro com o Prefeito, e a Secretaria de Saúde está verificando a viabilidade desta cessão”. Finalizou o executivo municipal.

Nota a população

Fique atento quanto a aplicação de contraceptivo nos animais. Conforme informado pela ONG Arca de Noé, a aplicação dessa injeção indiscriminadamente causa piometra (câncer de útero) nas cadelas.

Confira o trabalho da ONG Arca de Noé pelo instagran: @ongarcadenoens

Acesse o perfil da ONG Arca de Noé (CLIQUE AQUI)

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