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Editorial - Opinião sem medo!

EDITORIAL | QUANDO A DOR VIRA TRAGÉDIA

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O Brasil amanheceu estarrecido com a notícia de um crime brutal ocorrido em Goiás: um homem, tomado por ciúmes e pela sensação de traição, tirou a vida dos próprios filhos e, em seguida, cometeu suicídio. Uma tragédia que não pode ser resumida a uma palavra vulgar, nem reduzida a comentários impulsivos nas redes sociais.

Não foi “por chifre”.
Foi por incapacidade de lidar com frustração, com a perda, com o fim de uma relação.
Foi por ausência de equilíbrio emocional.
Foi por uma cultura que ainda ensina que honra ferida se resolve com violência.

Quando adultos transformam conflitos conjugais em sentença de morte para crianças inocentes, estamos diante de algo muito mais profundo do que um drama familiar. Estamos diante do colapso de valores, da banalização da violência e da falta de políticas eficazes de saúde mental.

Os filhos não eram extensão do casamento. Não eram instrumentos de vingança. Eram vidas únicas, que deveriam ser protegidas acima de qualquer desavença entre adultos.

É preciso dizer com clareza: traição não autoriza violência. Separação não justifica morte. Dor não legitima crime.

Infelizmente, casos como esse revelam uma ferida social ainda aberta — o machismo estrutural que associa posse a relacionamento. A ideia distorcida de que o outro “pertence” a alguém, e que a perda dessa posse é uma afronta intolerável. Essa mentalidade adoece relações, destrói famílias e, em casos extremos, termina em sangue.

Mas também é urgente falar de saúde mental masculina. Homens são ensinados desde cedo a não chorar, a não pedir ajuda, a não demonstrar fragilidade. Quando a frustração chega, ela explode. E, muitas vezes, explode contra quem não tem culpa alguma.

Este editorial não busca justificar o injustificável. Busca provocar reflexão. Porque enquanto a sociedade tratar ciúme obsessivo como prova de amor, enquanto romantizar comportamentos possessivos, continuaremos colecionando tragédias.

É preciso educar para o diálogo.
É preciso fortalecer redes de apoio.
É preciso oferecer acesso real à saúde mental.
É preciso responsabilizar, sim — mas também prevenir.

Que essa dor não seja apenas mais uma manchete.
Que seja um alerta.

Porque nenhuma traição vale uma vida.
Muito menos duas vidas inocentes.

 

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