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Emprego

Trabalhadores com mais de 50 anos não ocupam nem 5% das vagas de emprego

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Cerca de 25% da população brasileira, mais de 55 milhões de pessoas, tem 50 anos ou mais

Cerca de 25% da população brasileira, mais de 55 milhões de pessoas, tem 50 anos ou mais. O dado da Great Place to Work, porém, demonstra como as empresas não se preocupam em se comunicar com esse público. No Brasil, não há nem 5% de pessoas com mais de 50 anos empregadas nas organizações. Se não por responsabilidade social, por uma questão de estratégia, esse grupo deveria ter maior representatividade nos quadros de funcionários. A avaliação é de Móris Litvak, CEO e fundador da Maturi Jobs, e também encontra justificativa na inversão da pirâmide etária em curso no país.


A população brasileira envelhece cada vez mais rápido. De 2000 para 2011, o percentual de pessoas com mais de 50 anos quase não mudou, na casa dos 15%. Já na última década, deu um salto para 26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De um lado, a expectativa de vida saltou de 62,6 anos, na década de 80, para 76 anos em 2018. Somando isso à redução da taxa de fecundidade no país, a estimativa do IBGE é que, em 2060, uma a cada quatro pessoas no país seja idosa. Antes disso, em 2030, o número de brasileiros com mais de 65 anos será maior do que o de crianças.

A startup de Litvak começou no meio dessa mudança etária, em 2015, como uma plataforma de vagas para o segmento de pessoas com mais de 50 anos. Como não havia posições abertas e o número de cadastrados só aumentava – hoje, são mais de 150 mil pessoas, 70% com curso superior e 80% delas desempregadas –, ele percebeu a necessidade de fazer educação de mercado e conscientizar as empresas sobre a importância da diversidade etária. “Conforme elas não se interessavam, partimos para a capacitação dos nossos clientes para o empreendedorismo e para a consultoria. O preconceito é muito forte. Hoje, vemos um pouco mais de abertura das organizações, mas ainda é pouco eficiente”, diz.

DESESPERANÇA

Essa visão da realidade faz a designer gráfica Eliane Lemos, 59, não ter mais esperança de conseguir uma vaga com carteira assinada. Demitida no início do ano, ela acredita ser mais fácil seguir como microempreendedora autônoma. “Tenho um portfólio riquíssimo, além das qualidades inerentes à minha maturidade e experiência, como a responsabilidade, foco na entrega de resultados, envolvimento e resiliência, mas envio os currículos e não tenho nem retorno. Estou na batalha, preciso do dinheiro, mas mais ainda da atividade, minha característica é trabalho, mas está muito difícil”, conta.

Para Eliane, o preconceito é também o motivo da falta de respostas. “A tecnologia está a galope, e você precisa correr atrás. Porém, o preconceito cria essa ideia de que todas as pessoas com mais de 50 anos pararam no tempo”, lamenta. Ela acrescenta a isso os mais de 20 milhões de desempregados hoje no Brasil: “mão de obra sobrando”.

A mentora de carreiras executivas Viviane Narducci percebe que, no Brasil, em tudo que envolve diversidade, sempre há muito o que falar, mas muito mais o que fazer. “O mundo mudou. Vamos viver mais e trabalhar mais. Há espaço para todos, e as pessoas com mais de 50 anos têm de ter seu papel na sociedade. Não devemos rechaçar as limitações, mas enxergar o inegável ganho em vivência. Por melhor formação que um jovem tenha, ele não aplicou, na prática, o conhecimento como esse grupo”, diferencia.

PERFIL

Pesquisa da PwC Brasil aponta que, em organizações com maior percentual de colaboradores com 50 anos ou mais, há diminuição da taxa de rotatividade dos funcionários e absenteísmo e melhoras do clima organizacional e da satisfação dos clientes. Realidade também mostrada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ao ouvir gestores de empresas de diferentes portes. Eles apontam qualidades desses profissionais como a fidelidade à empresa (95%), o comprometimento no trabalho (89%) e o maior equilíbrio emocional se comparado aos mais jovens (88%). Já os pontos negativos estão associados à criatividade (31%), à adaptação às novas tecnologias (31%) e aos custos em termos de plano de saúde e assistência odontológica (30%).

O levantamento mostrou um descolamento entre a teoria e a prática entre esses líderes ouvidos. Enquanto 69% deles afirmaram acreditar que os profissionais mais velhos têm uma maior capacidade de solução de problemas se comparado aos mais jovens, a maior parte deles (75%) prefere contratar os menos experientes. Além disso, 88% não desenvolvem campanhas específicas para a seleção de candidatos mais velhos. Ainda segundo o Ipea, quando ocorre, a busca de inclusão de trabalhadores com mais de 50 anos se limita a abertura para prestação de serviços de maneira flexível para a empresa, por meio de consultorias, trabalhos pontuais e projetos terceirizados e autônomos. Mas são poucas as empresas que oferecem planos de carreira diferenciados aos mais velhos (7%).

E o quadro piorou com a pandemia. Segundo a PwC, com base na opinião de 32,5 mil trabalhadores brasileiros, as mudanças no mercado no último ano, como trabalho remoto e exigência de habilidades digitais, têm sido um fator excludente, já que os mais jovens apresentaram ter duas vezes mais probabilidade de melhorar essas habilidades profissionais.

 

Fonte: O Tempo

Foto: Steve Buissinne / Pixabay

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