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Semana pode ter novas medidas para conter alta dos preços dos combustíveis

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Para tentar conter a escalada dos preços dos combustíveis, após os aumentos anunciados pela Petrobras, deve haver, após cobrança do presidente Jair Bolsonaro (PL), providências do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, entre elas a notificação dos postos que não reduzirem as tabelas do óleo diesel. As informações são do jornal Estado de Minas.


No sábado (12/3), o presidente afirmou que a expectativa do governo é de corte de R$ 0,60 no valor do litro do diesel, com a sanção do projeto de lei que altera a cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. Hoje pode ser também dia decisivo para algumas das associações de caminhoneiros, que se articulam para definir de protestos a paralisações nas estradas.

O Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Sindtanque-MG) promete anunciar respostas aos reajustes, de acordo com o presidente da entidade, Irani Gomes. “Ninguém esperava aumentos absurdos como esses, principalmente no caso do diesel. Isso representa uma pá de cal para os transportadores, que há anos vêm se virando como podem para não afundar de vez”, disse.

Para o líder sindical, uma alíquota única do ICMS não deve bastar para refrear a crise provocada pela escalada do valor do litro. “Essa medida é insuficiente. A redução dos preços dos combustíveis será irrisória”. A preocupação reina, também, entre as empresas. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) admitiu que repassará ao custo das entregas, a despesa com o aumento do diesel.

“Estamos atentos e muito preocupados com toda essa situação, mas o setor, infelizmente, não tem mais quaisquer condições de segurar esse aumento, que deve ser repassado imediatamente no valor frete. Do contrário, colocaremos em risco a própria sobrevivência de muitas empresas de transporte, fundamentais para o desenvolvimento do Brasil”, protestou o presidente da CNT, Vander Costa, por meio de nota.

Pesado Na expectativa de minimizar os efeitos dos reajustes de preços dos combustíveis nas refinarias, o presidente Jair Bolsonaro deposita fichas não só na lei sancionada por ele na noite de sexta-feira, como admitiu que poderá adotar subsídios sobre os combustíveis. O texto determina a criação de alíquota única do tributo estadual. O novo índice vai valer para os 26 estados e o Distrito Federal.

Entretanto, ao visitar, no sábado, um posto de gasolina em Luziânia (GO), ontem, Bolsonaro constatou que a nova lei ainda não havia surtido efeito no custo do diesel. “Não chegou a ordem para baixar R$ 0,60. Deveria ser comunicado. Vou entrar em contato com o ministro de Minas e Energia e verificar o que já foi feito para notificar o pessoal de que tem que baixar R$ 0,60 no preço do diesel, que equivale a uma parte do ICMS e todo o imposto federal que zerei”, disse, a apoiadores e jornalistas.

A Petrobras corrigiu os preços da gasolina em 18,8% nas refinarias. As distribuidoras, que antes pagavam R$ 3,25 por litro, agora têm de desembolsar R$ 3,86. O litro do diesel, por sua vez, passou de R$ 3,61 para R$ 4,51 — 24,9% a mais. Houve, ainda, majoração de 16,1% no gás de cozinha. A alteração determinada pela Petrobras ocorreu um dia após o Congresso ter aprovado as novas diretrizes do ICMS incidente nos combustíveis.

Segundo Bolsonaro, se os postos seguirem a nova lei do ICMS, o aumento repassado aos consumidores que abastecem com diesel vai cair de R$ 0,90 para R$ 0,30. Mesmo assim, ele reconheceu que o bolso dos motoristas continua em grande desvantagem. “É muito pesado, mesmo assim, para o caminhoneiro”, afirmou. “A Petrobras não tem qualquer sensibilidade com a população. É Petrobras futebol clube — e o resto que se exploda”, sentenciou o presidente.

Artesãos repassam custo na Feira Hippie

Comerciantes e frequentadores da Feira de Artes e Artesanato da Avenida Afonso Pena, a tradicional Feira Hippie de Belo Horizonte,  já sentiram, ontem, o aumento dos preços dos combustíveis determinado pela Petrobras nas refinarias e que foi aplicada em postos revendedores ainda na sexta-feira. Repasses da despesa aos produtos finais chegaram às bancas dos artesãos, dois dias após o anúncio da Petrobras.

Alguns clientes aproveitaram para comprar maior quantidade de itens e evitar viagens repetidas, como Arlene Soares, que em dois domingos por mês sai de Ipatinga, no Vale do Aço, para fazer compras na Feira Hippie. Arlene disse que reduzirá a frequência para uma viagem mensal, “senão não compensará, porque com aumento de combustíveis, tudo aumenta também”.

Em sua banca de roupas femininas, Patrícia Soares Chagas do Carmo admitiu ter embutido nas etiquetas os valores pagos a mais por tecidos, aviamentos e acessórios.  As peças são produzidas em Capim Branco, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas todo o material é adquirido na capital. “Já pagando mais caro no combustível e sentindo o aumento nos insumos, a solução foi repassar. Agora é planejar menor número de viagens, combinado com aquisição maior dos produtos a cada compra, estendendo os prazos de pagamento.”

A mesma situação é descrita por Samara Aparecida Coelho Martins que produz artesanato em pedra-sabão na cidade histórica de Ouro Preto, na Região Central de Minas. “Não há outra saída. O aumento de combustíveis provoca um efeito cascata e nos obriga a repassar esses custos ao consumidor”, justificou.

Osvaldo Aparecido de Miranda costuma sair de Raposos, na Grande BH, para comprar artigos pessoais na feira em BH. Ele disse que pode encontrar produtos únicos e em bom preço, mas percebeu que “algumas coisas estão mesmo mais caras.”

Foto: Imagem Ilustrativa

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