Conecte-se conosco

Editorial - Opinião sem medo!

Se não forem pensadas as palavras, não devem nem mesmo ser ditas!

Publicados

em

A natureza humana é realmente surpreendente, e em tempos onde andar de mascara é uma obrigação, cada vez mais vemos pessoas se mascarando para obter a aprovação ou até mesmo para se impor em um determinado ambiente social.


Na política talvez as máscaras sejam mais presentes do que a verdade, e lá o poder e o interesse faz com que cada indivíduo até mesmo esqueça suas origens,  e cometa equívocos banais de quem, chegou ao poder se viu rodeado de uma autoridade que anteriormente não imaginava ter.

Maquiavel já dizia, “dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é”, e por mais que a oração não seja aceita, por quem está no poder, de fato, a necessidade de impor a sua força e até mesmo, pelo excesso de cobrança de quem lhe deposita confiança, transforma os líderes em autoridades, que constantemente esquecem efetivamente qual o seu lugar.

Na última reunião ordinária da Câmara Municipal, isso foi claramente visto, e podemos aqui considerar que algumas das colocações dos edis, foram infelizes, dando a eles o mérito do equivoco ou do não entendimento de qual é efetivamente o seu lugar, frente aos poderes que atuam em nossa cidade.

Entenda: durante a reunião o vereador Adilson Pacheco (PSD), com estrema propriedade e sabendo bem qual é o seu lugar, pediu a presidência da Câmara Municipal, que encaminhe um ofício ao comando da Polícia Militar (PM), solicitando esclarecimentos sobre a atuação da PM relacionado a constantes brigas e confusões que tem ocorrido em portas de bares e praças em Nova Serrana.

Adilson sabiamente escolheu suas palavras e considerou que é necessário promover a segurança pública e fazer ser cumprida a lei. Já o presidente da casa, com uso talvez impensado das palavras, afirmou que iria exigir explicações.

Daí surge o primeiro problema, um vereador, por mais que seja presidente, não se encontra em condição de exigir explicações do comando de um órgão de segurança pública. Ele pode pedir um posicionamento, promover o diálogo, solicitar uma maior atenção, mas exigir não passa pelo poder de um legislador municipal.

Seguindo, também foi afirmado que o deputado Fábio Avelar seria cobrado, o que mais uma vez não foi bem colocado, já que o Legislador Estadual tem a função de fiscalizar, aprovar e propôs leis e destinar recursos. Assim pensamos, além do trabalho que é executado com excelência pelo Deputado, o que mais poderia ser cobrado?

O presidente da Câmara expôs com propriedade que a o legislativo tem investido na segurança pública, o que é a obrigação de uma Câmara que se propõe e lidar diretamente com as mazelas sociais, mas esse trabalho lhe da o direito de EXIGIR respostas?

Prezando por uma boa relação entre as entidades, acreditamos que a escolha errada das palavras não deve (pelo menos torcemos por isso), criar uma ranhura na relação, mas de fato, o poder dado aos edis não pode fazer com eles esqueçam qual é o seu lugar e sua função.

Ainda na reunião Willian Barcelos (PTB), ao discutir a LDO, foi muito feliz em lembrar que quem executa é o executivo, ao vereador cabe indicar. Assim sendo temos que lembrar que quem promove a segurança é a PM, a PCMG, A Prefeitura por meio da Guarda e da Infraestrutura pública.

Ao legislativo, cabe indicar, pedir intervenções e se necessário propor leis que venham criar mecanismos para que os entes da segurança pública melhore as condições de trabalho.

Finalizando, salientamos, no entanto que todo esse equívoco jamais deverá manchar a imagem de uma presidência e de uma Câmara propositiva, que tem apresentado resultados sociais impares para nossa cidade. Mas temos que salientar que, o poder não pode parecer ser maior do que efetivamente é, e para que a boa relação entre os poderes e órgãos seja mantida, é necessário que as palavras sejam melhores escolhidas, e se não pensadas, elas não devem nem mesmo ser ditas.

Mais lidas