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“Parkinson é uma orquestra desafinada”

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A Doença de Parkinson chega sem pressa,
como um músico que entra atrasado no palco.
No início, quase não se percebe —
um leve tremor, um silêncio estranho entre os gestos,
uma pausa onde antes havia fluidez.

O corpo, que antes dançava com naturalidade,
passa a hesitar.
As mãos já não obedecem com a mesma leveza,
os passos ficam curtos, contidos, como se o chão
pedisse cautela a cada movimento.

Dentro da mente, algo mudou.
Não é o pensamento que falha —
é o ritmo.

É como se o cérebro, outrora maestro preciso,
visse sua orquestra perder a afinação.
Os instrumentos ainda estão lá,
mas já não conversam como antes.
Uns se atrasam, outros se antecipam,
e a música… já não soa como antes.

Mas ainda é música.

E mesmo entre notas desencontradas,
há insistência, há coragem, há vida.
Há quem reaprenda cada gesto,
quem transforme o esforço em rotina,
quem encontre, no meio do caos,
um novo compasso possível.

Porque o Parkinson não silencia a existência —
ele a desafia.

E, no coração de quem enfrenta a doença,
há algo que nunca perde o ritmo:
a vontade de seguir.

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