Editorial - Opinião sem medo!
“Parkinson é uma orquestra desafinada”
A Doença de Parkinson chega sem pressa,
como um músico que entra atrasado no palco.
No início, quase não se percebe —
um leve tremor, um silêncio estranho entre os gestos,
uma pausa onde antes havia fluidez.
O corpo, que antes dançava com naturalidade,
passa a hesitar.
As mãos já não obedecem com a mesma leveza,
os passos ficam curtos, contidos, como se o chão
pedisse cautela a cada movimento.
Dentro da mente, algo mudou.
Não é o pensamento que falha —
é o ritmo.
É como se o cérebro, outrora maestro preciso,
visse sua orquestra perder a afinação.
Os instrumentos ainda estão lá,
mas já não conversam como antes.
Uns se atrasam, outros se antecipam,
e a música… já não soa como antes.
Mas ainda é música.
E mesmo entre notas desencontradas,
há insistência, há coragem, há vida.
Há quem reaprenda cada gesto,
quem transforme o esforço em rotina,
quem encontre, no meio do caos,
um novo compasso possível.
Porque o Parkinson não silencia a existência —
ele a desafia.
E, no coração de quem enfrenta a doença,
há algo que nunca perde o ritmo:
a vontade de seguir.