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O voto útil e o eleitor mediano!

Mauro Soares

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As eleições de 2018 se aproximam e alguns votantes se deparam com um impasse: o candidato por eles escolhido, não é competitivo segundo os institutos de pesquisa, e noutro viés, aquele concorrente que eles não querem ver eleito de modo algum, é o favorito para vencer o pleito.

Neste caso, a saída tem sido optar por outro nome, que tenha reais chances de vencer o adversário: é o chamado voto útil.

Podemos frisar que o eleitor, ao optar pelo chamado voto útil, faça o seguinte raciocínio: “Quero evitar aquilo que eu considero pior, mesmo que eu não morra de amores e nem considere melhor aquele candidato no qual estou votando”.

Dados revelados pelo Ibope na quarta-feira (19/9) indicam que o eleitorado brasileiro cogita fortemente aderir à prática do voto útil. Segundo a pesquisa, 32% dos entrevistados admitem essa hipótese. Destes, 18% veem como alta a possibilidade de aderir a outro candidato; outros 14% afirmam ser muito alta. Ou seja: o voto útil pode ser o fiel da balança das eleições já no primeiro turno.

O cenário atual se dá por eleições de conjunturas muito radicalizadas, polarizadas, que colocam em dúvida um quase postulado, uma premissa da ciência política: os partidos, quando competem entre si pelo voto do eleitor, tendem a uma posição de centro para buscar aquilo que os cientistas políticos chamam de “o eleitor mediano”.

Essa escolha eleitoral, voto útil, tem uma peculiaridade: surge quando um candidato – ou mais de um – tenha altos índices de rejeição. A centralização e/ou a concentração de forças leva alguém a abdicar de suas convicções para embarcar em um projeto que, se não é o ideal, pelo menos tem maiores probabilidades de bater o “inimigo”.

Essa polarização pode ser observada já a muito, em se tratando da politica nacional; nas últimas seis eleições, vimos o embate, PT x PSDB, numa alternância de poder; o PT, tido como uma sigla de “esquerda”, mas com sua estrela maior, Luís Inácio Lula da Silva, adotando um discurso moderado, ao ponto de ser rotulado como “Lulinha paz e amor”; já os tucanos, moderados, buscando a aglutinação de partidos, como forma de vencer o pleito e exercer a governança, tática adotada pelo atual representante da sigla, que abarcou em torno de sua candidatura, o maior número de partidos, dentre os postulantes ao cargo máximo da Nação.

Ao que tudo indica, a polarização continuará, porém com mudança de personagens, sai o PSDB, e surge o fenômeno Bolsonaro, num partido nanico, e sem um programa de governo consistente.

O eleitor mediano, numa conjuntura muito radicalizada, desaparece. O que estamos vendo agora, nessa movimentação antecipada pelo voto útil, não é uma convergência para o centro, e sim uma fuga para os extremos.

Mas até que ponto o voto útil, é benéfico à Nação? A meu ver, trata-se de um retrocesso, quando abdicamos de escolher por convicções e afinidades com o programa de governo dos candidatos, mesmo com o empobrecido debate nessa eleição, para deixarmo-nos seduzir pela ideia do menos pior, votamos por conveniência, abstemos do consciente escolher, e somos influenciados pelos institutos de pesquisa, historicamente falhos, e nem sempre crível.

Voto útil é aquele depositado conscientemente, fruto da livre escolha, depois de criteriosa análise acerca dos postulantes.

Abençoada semana, Graça e Paz.

MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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