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Editorial

Não era uma casa muito engraçada!

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Não era uma casa muito engraçada, ela sim não tinha luxo, não tinha escritura, não tinha autorização e depois de uma ação, de um grupo de Guardas Civis Municipais, colocarem em prática as ordens recebidas, efetivamente a casinha passou a não ser mais nada.

Essa introdução caros leitores, não é um ataque ao executivo, muito menos a vitimização dos invasores que sim, muitos por ai usam dessa prática ilícita como forma de enriquecimento.

Mas essas linhas acima, como as que escrevemos abaixo servem para que a atenção quanto a uma situação calamitosa do município seja observada além das redes sociais.

Se voltar no tempo empiricamente fosse possível poderíamos fazer com que algumas ações fossem refeitas, ou até mesmo implementadas, mas, como não é possível, cabe a nós buscar a memória um passado não tão distante, e a partir dai poderíamos passar a ter uma postura diferente.

Há 10, 15 anos atrás quando essa cidade estava em pleno esplendor de crescimento, em plena fase de solidificação de sua notoriedade, medidas deviam ser tomadas para que os milhares de cidadãos que vieram até aqui, investir o seu suor para o desenvolvimento do município tivessem condições dignas de moradia.

A terra da oportunidade, não possibilitou aos populares terem condições de comprarem seus terrenos, seus lotes, suas casas. Muitos de fato o fizeram, e até hoje pagam caro por isso, como por exemplo, os moradores de comunidades como Areias Brancas.

Programas habitacionais lá no passado não foram suficientes. Escrituras foram distribuídas sem critério para fidelizar eleitores, a infraestrutura não foi planejada e de repente como em uma explosão que não se sabe de onde surgiu um caos social se deu em torno de bairros que são formados por invasões.

A história deveria nos dar uma lição, mas não, o Novo tempo continua com práticas antigas, a prova disso, as famílias retiradas no bairro Jéferson Batista nesta quarta-feira, que é inclusive a capa deste Popular, já foram retiradas do local. Ali já houveram pelo menos mais três invasões, sem falar que ao seu redor temos até galpões em área invadida.

A história nos mostra que derrubar barracão não é a solução, é apenas um fator temporário, uma forma de remediar uma doença que aparentemente será terminal.

Na Câmara duas pautas chamam a atenção, em 2017 um projeto de lei tornou oficial crime as invasões a partir daquele ano, e outro, legalizou uma área invadida em um bairro que deveria se tornar um distrito industrial.

O mérito ali não é a questão, até porque nas redes sociais populares mostraram sua indignação com a pauta aprovada este ano, porém não tiveram coragem para fazer frente aos invasores, que fizeram pressão sim, na Câmara Municipal.

Esse mérito é tão polêmico que tem vereador correndo risco de ter seu nome colocado em processo administrativo, sindicância e até mesmo rompeu com um bloco político, mas isso é assunto para a edição deste sábado que inclusive está imperdível.

O que tem faltado pelas autoridades é coragem e inteligência. Coragem de enfrentar um problema de frente, até mesmo porque, como dizia os moradores retirados, “na hora de derrubar o barraco o prefeito não aparece”. E inteligência para perceber que derrubar a casinha de pau, quebrar as telhas de amianto não solucionam uma doença crônica no município.

A Guarda Civil agiu com força, em instantes os barracos vinham ao chão, em meio a algumas reclamações, alguns Guardas que se sentiam policiais gritavam “fica caladinha ai porque senão vai em cana por desacato”, mas seu comando no entanto com serenidade pontuou a esse Popular e aos moradores que para eles cumprir essa ordem era algo desagradável mas que tinha que ser feito como manda a lei.

Os vereadores, não apareceram, e votar leis e projetos que legalizam essa situação também não é uma forma adequada de resolver o problema, afinal, legalizar o crime para reduzir os índices de criminalidade é tapar o sol com a peneira.

Ao executivo fazemos um alerta, olhe com mais atenção e se for para tirar um que se tirem todos, contudo, que façam da forma correta. Não que houve equívocos na ação, mas no contexto geral ainda temos um quadro que deve ser visto com maior atenção e sim crie projetos habitacionais eficientes e em caráter de urgência, a cidade precisa disso.

A você caro leitor, que está lendo esse editorial, concordando ou não, pedimos que tenha algo chamado empatia, tanto com a postura da prefeitura como com a situação dos invasores. Vocês vivem em uma condição social diferenciada, afinal, tem uma bagagem cultural e provavelmente econômica diferenciada, assim sendo, apontar o dedo na cara de invasor pela rede social é muito fácil. Difícil mesmo é morar em barraco de lona, ou ter a coragem de ir até lá e mostrar, argumentar  e dar uma solução diferente e eficiente para aqueles que invadem terrenos municipais ou não, para chamarem de seu lar.

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