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Defesa civil

Mais de 23 mil pessoas já foram afetadas pelo período chuvoso em MG

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As fortes chuvas que atingem o Vale do Jequitinhonha e o Vale do Mucuri desde a última terça-feira deixaram um rastro de destruição. A força das águas, considerada incomum para esta época, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), já que não foram registradas em anos anteriores, fizeram com que o governador Romeu Zema (Novo) decretasse ontem estado de emergência em 31 municípios.  As informações são do Jornal O Tempo.


Zema visitou duas cidades. Em Águas Formosas, no Jequitinhonha, 350 famílias ficaram desabrigadas, e 1.600 pessoas, desalojadas. Doze pontes foram comprometidas. Em Machacalis, na mesma região, 2.903 moradores ficaram desalojados, e 398 pessoas estão desabrigadas. Os dados são da Defesa Civil.

Desde outubro deste ano, as chuvas causaram as mortes de cinco pessoas em Minas. As duas mais recentes foram na região do Rio Doce, nas cidades de Pescador, onde uma criança de 2 anos morreu soterrada, e Engenho Caldas, ambas nesta semana. Os dados são do boletim divulgado pela Defesa Civil Estadual. O informativo também computa 53 cidades afetadas, 46 pessoas feridas, 953 desabrigadas e 7.214 desalojadas.

Diante dessa situação caótica – tendo em vista que o período chuvoso vai até março do próximo ano –, a solidariedade tem sido a palavra de ordem para dar um pouco de alento a quem perdeu tudo inesperadamente. Lucinê Pereira de Azevedo, 54, é moradora de Machacalis e se emociona ao dizer que abrigou cinco famílias dentro da própria casa. “Minha casa é pequena, é muita gente”, comenta, com a voz embargada.

Recursos

Em Fronteira dos Vales, no Jequitinhonha, 40 famílias ficaram desabrigadas, e o prefeito Adailton Rodrigues (Podemos) diz que a prefeitura presta assistência, mas não tem recursos para a reconstrução.

“Foram muitos danos, destruição total. Quinze pontes destruídas, e os acessos da cidade estão intransitáveis. Decretamos estado de emergência e esperamos conseguir recursos (junto aos governos federal e estadual)”, disse.

O prefeito de Palmópolis, Marcelo Fernandes (DEM), na mesma região, afirma que a situação é crítica nos distritos de Geribá e 2 de Abril. Na cidade, cem pessoas ficaram desabrigadas, e outras 1.500, isoladas na zona rural após temporal na última quinta-feira. “Caíram pontes, e a gente não consegue ir lá. Os dois distritos estão sem energia elétrica”, disse. Na cidade e em Machacalis, segundo a Copasa, o abastecimento de água está comprometido. Caminhões-pipa dão apoio aos atingidos

Governo Federal garante recursos

Após o governador Romeu Zema (Novo) decretar estado de emergência em 31 cidades mineiras por conta das chuvas, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), coronel Alexandre Lucas, informou que o governo federal vai reconhecer a situação e publicar no “Diário Oficial da União” (“DOU”) de hoje a liberação de recursos para as cidades afetadas.

“Não há um valor estipulado, mas recurso tem, e vamos utilizar o que for necessário para a reconstrução e limpeza das cidades”, disse.

A ajuda é bem-vinda, já que prefeitos de cidades atingidas afirmam não ter recursos para serem aplicados na reconstrução. O secretário destacou que o MDR está em constante conversa com a Defesa Civil Estadual de Minas para que as ações sejam realizadas com agilidade.

“Vamos colocar um técnico do Ministério do Desenvolvimento Regional na Cidade Administrativa. O objetivo é dar agilidade para o trabalho de reconstrução e liberação dos recursos para isso ocorra. Recursos nós temos, o que a gente precisa agora é de agilidade”, defende o coronel.

Volume de chuva

Segundo o Inmet, a média histórica de chuva de dezembro para os vales do Jequitinhonha e Mucuri, além do Norte de Minas, é de 250 mm, mas nos dez primeiros dias do mês já choveu 248 mm. O fenômeno foi causado pela Zona de Convergência do Atlântico Sul, onde nuvens ficam por pelo menos três dias sobre uma região.

Neste fim de semana a chuva vai dar trégua no Jequitinhonha e no Mucuri. “Não há necessidade de pânico mais”, disse o meteorologista do Inmet Claudemir de Azevedo

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