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Fiemg afirma que governo prepara flexibilização

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Em entrevista à Rádio Super 91,7 FM nesta segunda, Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), afirmou que a federação contribuiu para um planejamento do governo de Minas Gerais para guiar a flexibilização do isolamento social no Estado. Representantes da Justiça, do Ministério Público e da Assembleia Legislativa também teriam contribuído, disse Roscoe — o governo do Estado não confirma quais órgãos participaram das discussões.

Segundo Roscoe, a ideia é dividir as cidades segundo critérios como a ocupação hospitalar: aqueles municípios que estão com mais leitos disponíveis para pacientes com a Covid-19 poderiam retomar as atividades antes. Ainda de acordo com o presidente da Fiemg, as cidades de Minas seriam divididas em quatro níveis, a princípio, que iriam do menor ao maior risco de problemas devido ao novo coronavírus.

Aquelas que estivessem com menos contaminações e mais leitos disponíveis estariam no nível mais ameno. Roscoe citou Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, como exemplo: “Os protocolos vão ser baseados no que fez o prefeito de Betim, porque ele acertou na mosca. Se você tem 8% dos leitos ocupados, pode abrir a economia”. No último sábado, a prefeitura de Betim autorizou o retorno gradual às atividades comerciais na cidade a partir desta quarta-feira.

“É fundamental haver um planejamento de retomada, porque as pessoas vão ter perspectiva. Quando você está à deriva no mar, pode estar sem vela ou com o motor quebrado, mas, se vir terra, rema nem que seja no braço”, completou Roscoe.

Por meio de assessoria de imprensa, o governo do Estado confirmou que trabalha em um plano relativo ao isolamento social nos municípios de Minas, mas não deu detalhes. A previsão é que ele seja divulgado até esta quarta-feira (22).

Para presidente da Fiemg, máscaras e testes são ferramentas para retomada econômica

“Vai haver regiões onde o vírus está com percentual baixo de contágio, como no Norte de Minas, e vai haver municípios em que 70% da população já teve o vírus, então é possível liberar (o comércio). Na perspectiva da Fiemg, é preciso máscaras para evitar contágio e permitir que as pessoas possam sair, trabalhar e fazer as atividades econômicas, e testes para classificar em que grupo de risco está cada município. Testes como pesquisa eleitoral”, defende Roscoe.

A prefeitura de Belo Horizonte anunciou que pretende fazer teste por amostragem na população da capital. A lógica é parecida com a das pesquisas eleitorais: pessoas de diferentes faixas etárias são selecionadas em regiões da capital e testadas a fim de traçar um panorama do contágio na cidade.

Ainda assim, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), disse que a capital mineira não tem previsão para flexibilizar a abertura do comércio, pouco depois de um mês desde o decreto que ordenou os fechamentos.

Em entrevista à Rádio Super 91,7 FM no mesmo dia, o infectologista Estevão Urbano, integrante do comitê de enfrentamento à Covid-19 da prefeitura, lembrou que o Brasil faz o caminho inverso da Europa, onde a pandemia dá mostras gradativas de se acalmar: no Brasil, o pico tende a coincidir com o começo do inverno, época em que doenças respiratórias costumam ter alta.

Para Roscoe, da Fiemg, um mês de isolamento social teria sido suficiente para alguns municípios se prepararem para a pandemia, e o uso de máscaras e álcool em gel pela população já permitiria retomada de atividades.

Presidente da Fiemg já teve Covid-19

No final de março, Roscoe afirmou, em um áudio de WhatsApp que circulou entre presidentes de sindicatos patronais do ramo da indústria, que a crise só vai passar quando a maior parte da população tiver se infectado.

“Eu sei que essa é uma posição que vai contra muito do que a gente tem ouvido aí, o isolamento é necessário, mas acontece que a crise só passa quando boa parte da população for contagiada. Então, uma parcela significativa da população tem que ser contagiada, porque é assim que vai passar a crise do vírus. E 85% (dos infectados), inclusive, é assintomático como eu, que nem senti nada, só uma tossezinha”, disse, em um dos trechos do áudio.

Em meados de março, o próprio Flávio Roscoe foi diagnosticado com infecção pelo novo coronavírus, aos 48 anos. Ele era membro da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que foi aos Estados Unidos no começo de março encontrar-se com o presidente norte-americano, Donald Trump. Roscoe foi um dos 25 integrantes do grupo que se descobriu contaminado — Bolsonaro afirma não ter adoecido. Agora, Roscoe se declara curado.

Fonte: O Tempo

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