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Eu vi…

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Não faz tanto tempo assim.
Na verdade tem pouco mais de um ano e meio, quando assisti pela TV um desastre acontecido na China que nunca imaginei pudesse acontecer fora dos filmes de ficção científica.


Eu vi… Quando timidamente as notícias começaram a se espalhar pelo mundo dando conta de um vírus com alto poder de contaminação. Um vírus desconhecido, que podia matar, ou melhor, exterminar a humanidade… Era o que diziam as notícias e boatos que se espalharam tão rapidamente como o próprio vírus.

Eu vi, autoridades amenizando o problema enquanto outras, mais preocupadas, propunham quarentenas e medidas de proteção coletivas com proibição de festas, aglomerações e nem mesmo as mais íntimas reuniões em família poderiam acontecer.

Eu vi, pessoas desesperadas, com medo, espalhando mais pânico com interpretações precipitadas ou de pura ignorância que falavam de amigos e parentes entubados nos hospitais sofrendo acompanhados por parentes que não podiam sequer chegar mais perto.

Eu vi tantas coisas absurdas acontecendo como histórias de catástrofes medonhas ao ponto do medo nos dominar e impedir o simples aperto de mãos, do abraço carinhoso ou fraterno e a convivência com pessoas amadas.

Eu vi tudo isso acontecer pela TV, nas redes sociais e comentários por telefone.

Eu vi pessoas perdendo emprego, deixando de trabalhar impedidas de levar o sustento para seus lares, crianças e jovens sem estudo e os conflitos domésticos gerando desentendimentos e até mortes.

Eu vi tanta coisa, que muitas vezes desejei acordar de um pesadelo tão real e me senti impotente para proteger minha família.

Tudo isso acontecendo numa velocidade impressionante, enquanto as autoridades batiam cabeças para encontrar uma solução.

Eu vi, minha gente! Eu vi pessoas impedindo que a vida pudesse encontrar caminhos menos traumáticos forçando o uso de máscaras, mudanças de hábitos desinfetando as mãos a todo momento ou chamando para si direitos que não tinham.

Eu vi a pandemia chegar mais perto, alcançar pessoas conhecidas, contaminar amigos e levar vidas de gente querida sem que eu pudesse fazer nada

Vi enfermeiros e médicos passando sobre corpos jogados em corredores de hospitais lotados de cadáveres e o desespero do pedido de ajuda implorando pela abertura de leitos de UTIs para tratar os enfermos e contaminados.

Mas, em meio ao caos em todo o planeta, também vi o lado da solidariedade em todo o seu esplendor, quando as pessoas confinadas em seus lares assistiam pela janela de seus apartamentos vizinhos tocando músicas, criando divertimentos limitados para quebrar a tristeza que se assolou sobre todos nós.

Vi gente se ajudando, formando grupos de compras para impedir aglomerações em supermercados, pessoas simples dividindo o pouco que tinham e a coragem de profissionais da saúde se arriscando para salvar vidas.

Eu vi que o espírito humanitário estava sobrevivendo e gerando novas formas de esperança para a nossa raça… A mesma raça que criou o vírus em laboratório, a raça que ensaiava seu próprio extermínio calado e escondido dos escrúpulos humanos.

Mas o pior ainda estava por vir: eu vi os políticos brasileiros incomodados por verem seu poder ameaçado e começaram a querer entender mais de ciência do que a própria ciência.

Hoje não sei mais o que terei para ver, quando o país se mostra pronto para um conflito imbecil de egos por causa de ideologias sem o menor interesse.

Vi pessoas se agredindo gratuitamente por assuntos que não entendem, provocados por pessoas que não sabem o que fazem por motivos que não trazem nenhum bem a ninguém.

Eu vi a sabedoria entrar pelo ralo da estupides e a ética sair pela janela junto com a fraternidade tão necessária.

Que Deus nos perdoe por tantas pessoas cegas de coração que não querem ver o que eu vi, porque não acreditam que o pior ainda pode estar por vir…

“É ver para crer!”

LEONARDO VELOSO JUNQUEIRA é daqueles publicitários da época romântica, quando a comunicação ainda era feita com base no talento criativo. Foi sócio fundador da Insight Comunicação durante 22 anos prestando serviços de comunicação e marketing a grandes empresas, como Pastifício Santa Amália, Riclan (fabricante do Pircóptero e drops Freegell’s), Cera Inglesa, Calçados Jacob (Kildere), Café Brasil, Balas Santa Rita entre outras grandes empresas que fizeram histórias de sucesso. Trabalhou em grandes agências de publicidade em Minas e na área política, como publicitário, assessorou as prefeituras de Uberlândia, Varginha e Divinópolis além de desenvolver e coordenar inúmeras campanhas políticas, das quais destacamos a eleição de Zaire Rezende (Uberlândia), Maurinho Teixeira (Varginha), Paulo Tadeu (Poços de Caldas), Galileu Teixeira (Divinópolis), Paulo César (Nova Serrana), Toninho André (São Gonçalo do Pará) além de vários deputados estaduais e federais. Léo Junqueira é consultor de marketing, compositor, violeiro, escritor e colunista do Jornal O Popular

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