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Editorial

Estelionato eleitoral

Israel Silveira

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É claro que você leitor, como a maioria da população já ouviu a expressão 171.

O baba de calango, o cheio de lábia, cheio de 171 é aquele que tem o poder de convencer, articular, enganar o próximo afim de obter para si benefícios e vantagens.

O artigo 171 do código penal define como crime em obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, com artifício, ardil ou meios fraudulentos, essa conduta caracteriza o crime de estelionato.

E para concluir essa parte teórica e quase que jurídica de nosso editorial pode-se definir estelionato, segundo indica o Código Penal, quando uma pessoa usa o engano ou a fraude para levar vantagem sobre alguém.

Essas definições vão nos ajudar a entender perfeitamente o que tem acontecido em Nova Serrana. Afinal, depois de termos um espetáculo premeditado, com sete julgamentos de cassações sem condenações, temos agora a fase do estelionato eleitoral.

A ardil forma de enganar os eleitores vem ocorrendo de forma escancarada no legislativo municipal, e perceba, o que mais se tem hoje na Casa do Povo, são discursos vãs, mentirosos e medíocres, que no fundo querem apenas tentar convencer que você eleitor, que o vereador que muito pouco fez em seu tempo de legislatura é digno de reeleição.

Percebam, durante a semana do recesso foi realizado uma reunião extraordinária da Câmara Municipal, onde foi aprovado um projeto que colocou fim ao recebimento dos vereadores afastados.

A iniciativa é louvável, certo?

Bom isso aos olhos de quem é enganado pela ação eleitoreira e desesperada da mesa diretora, que tenta juntar os cacos de uma Casa Legislativa completamente desacreditada.

O projeto não teve sequer, o posicionamento pela legalidade do jurídico da Câmara Municipal, não tem jurisprudência e tão pouco um parecer favorável emitido pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.

Sendo assim a probabilidade do projeto ser, mais uma forma de tentar enganar a população, tentando moralizar uma instituição completamente sem moral, pelos atos praticados pelos edis que ocupam os cargos delegados, é maior do que qualquer outra suspensão.

Vejam só, o presidente que assina o projeto, em 2019 pregou que não gostaria de cassar nenhum vereador. Se o objetivo é promover a economia do dinheiro público, porque não buscou a suspensão dos salários em 2019?

De fato o presidente apresentou um requerimento, junto com Jadir Chanel, Pr. Giovani Máximo, Sandro Moret e Remirton José, para a presidência em 2019. O problema é que os nobres sequer, indicaram a forma como deveria ser tomada a medida, ou seja, jogaram a bomba nas mãos da presidência interina, promovendo assim outra ação eleitoreira.

Vejam, a Câmara vem apresentando uma série de projetos que sequer tem viabilidade, sequer tem impacto, sequer foi estudado se o mesmo poderá ser efetivamente aplicado, e isso agora é para que se tenha a ideia de que os vereadores são verdadeiramente representantes do povo.

Nesta terça, por exemplo, foi colocado em votação o projeto que cria em Nova Serrana o serviço de socorro para o SAMU por motocicleta. As motolâncias são sim uma iniciativa louvável, mas quando se descobre que o Consórcio intermunicipal que administra o SAMU sequer foi procurado para se posicionar sobre a viabilidade da implementação do serviço, se percebe que a pauta não passa de mais uma tentativa de estelionato eleitoral, mas isso fica para a edição desta quinta-feira.

A Câmara poderia ter mostrado serviço, fazendo mais do que dar aquele show nos processos de cassação. Não nos entendam mal, não estamos pedindo a cabeça de ninguém, mas gostaríamos de ter representantes que tem discursos menos boçais, que sejam mais instruídos, que votem por consciência e não por ordem do executivo, que saibam ao menos manifestar seus votos e marcar a cédula de forma correta.

Seguindo na crítica do estelionato eleitoral, temos em nossa cidade aqueles que vendem sua alma, seus cargos, suas considerações, para que obtenham cargos políticos em futuras gestões. Temos o estelionato eleitoral praticado em “obras”, inauguradas na reta final da gestão, para assim mostrar serviço nas vésperas da eleição.

Temos o estelionato eleitoral, em torno do nome dos políticos que serão adversários da atual gestão, afinal todos usam de suas artimanhas para desvalorizar a boa gestão (diga-se de passagem), para falar que poderiam fazer mais, mesmo que em tempos passados isso não foi uma realidade.

Por fim temos o estelionato eleitoral do político que transita entre os dois lados, prometendo amor e fidelidade, mas no fim, fará o que o seu interesse pessoal necessitar para obter o poder e ter o ego inflamado. E claro como não poderia faltar, temos o estelionato eleitoral praticado pelos pré-candidatos, que não sabem onde começa e termina a política, mas vão para as redes sociais, tentar enganar você leitor, com o velho discurso de quem tem a solução, mas nunca mostra pra ninguém, para que sua ideia, ou melhor o seu voto não seja roubado.

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