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EDITORIAL | CANDIDATOS DEMAIS, ELEITORES DE MENOS

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Nova Serrana começa a assistir a um fenômeno curioso — e até um pouco cômico — no cenário político local: a multiplicação de candidatos a deputado estadual e federal. A cada eleição, novos nomes surgem, novas pré-candidaturas aparecem e, de repente, parece que quase todo mundo decidiu disputar uma vaga no Legislativo.

O problema é que a conta simplesmente não fecha.

Com tantos interessados em disputar votos na cidade, chega a parecer que há mais candidatos do que eleitores disponíveis. A situação beira o surreal: o cidadão sai para pedir apoio a um amigo, um colega de trabalho ou um conhecido do bairro e descobre que o outro também é candidato — ou já prometeu voto para outro que também é.

É claro que a democracia precisa de participação, e é saudável que novas lideranças surjam. No entanto, o excesso de candidaturas locais levanta uma pergunta inevitável: até que ponto isso fortalece a representatividade da cidade ou apenas pulveriza votos?

Historicamente, municípios que conseguem eleger representantes fortes são justamente aqueles que concentram apoio em poucos nomes competitivos, capazes de alcançar votação expressiva dentro e fora da cidade. Quando muitos candidatos disputam o mesmo eleitorado, o resultado costuma ser o oposto: votos fragmentados e nenhuma cadeira conquistada.

Nova Serrana já viu esse filme antes. Em diversas eleições, a cidade demonstrou força nas urnas, mas acabou sem representação direta porque os votos foram divididos entre muitos postulantes.

No fim das contas, todos querem representar o município em Brasília ou na Assembleia Legislativa — o que é legítimo. Mas talvez esteja faltando uma reflexão coletiva: Nova Serrana quer quantidade de candidatos ou qualidade de representação?

Se continuar nesse ritmo, logo chegará o dia em que o eleitor baterá à porta de alguém para pedir voto… e ouvirá de volta:
“Desculpa, mas eu também sou candidato.” 😅

E assim segue a política local: muitos palanques, muitas promessas e cada vez menos votos suficientes para todos.

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