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BEM NA FOTO

Rodrigo Dias

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Os críticos, os céticos poderão dizer que uma foto não revela as intenções. Eu, por outro lado, vou considerar que toda boa foto é um importante registro histórico. Exatamente porque eterniza aquela fração do tempo, e o significado contido na foto e no contexto em que ela se deu.


Dito isso, e livre de qualquer paixão ou torcida por A ou B, a foto mais comentada da última semana deve ser entendida exatamente pelo seu contexto. No registro, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva estão num clima de cordialidade. Se cumprimentam com um soquinho, um na mão do outro, e ambos usam máscaras. Como disse acima, a foto é cercada de um clima de cordialidade e respeito.

Esse ambiente de civilidade e respeito, a meu ver, é a grande mensagem da foto. FHC e Lula, cada um no seu tempo e relevância, foram os dois mais importantes presidentes desde o fim da ditadura do regime militar. Aliás, ambos lutaram pela redemocratização do Brasil e pelas “Diretas já”.

Apesar de estarem envolvidos em pautas semelhantes, no campo político-partidário sempre estiveram em lados opostos e ambos eram os dois expoentes que polarizaram o discurso político desde 1994. PSDB e PT, FHC e Lula eram água e óleo.

No embate entre esses dois polos, o radicalismo e o desgaste vieram com o tempo. Criou-se um ambiente para um discurso ainda mais bélico e conservador que culminou com a ascensão do bolsonarismo no poder central da república.

A foto de FHC e Lula, juntos, não quer apagar o passado dos dois. Tão pouco afrontar a inteligência de ninguém. Ela apenas sinaliza que em tempos de discurso de ódio e de intolerância é preciso diálogo. Convergência para encontrar caminhos. Sem ameaças à democracia.

Se esse não for o melhor caminho, ao menos será o caminho do mal menor. Porque não? Caminho em que exista diálogo e racionalidade.

Talvez o último ato dos dois ex-presidentes seja esse: contribuir para distensionar o discurso e o ambiente político que, de certa forma, teve seu agravamento iniciado com eles mesmos.

O tempo, os cabelos brancos, os erros e acertos de FHC e Lula podem contribuir para o início de um novo período de tolerância no mundo político. Pavimentando caminho para novas lideranças, mentes mais arejadas sem o radicalismo dos dias de hoje.

Ninguém apaga o passado. Mas é possível reescrever o daqui pra frente. E isso é o que nos interessa.

Num contexto político tão conflagrado como o atual, é importante relevar gestos que vão na direção contrária. Sem excitar a população e por brasileiro contra brasileiro, para sustentar interesses de quem manda.

Se a palavra urbanidade é moda, o ideal é não perder o foco. Caprichar no enquadramento para ficar bem na foto. Não se trata de afronta, mas de um sinal. Nele uma mensagem: É possível fazer, ser diferente.

RODRIGO DIAS é jornalista e web poeta, há mais de duas décadas trabalha no mercado de comunicação. Formado em Publicidade e Propaganda, também atua como assessor de comunicação

RODRIGO DIAS é jornalista e poeta, há mais de duas décadas trabalha no mercado de comunicação. Formado em Publicidade e Propaganda, também atua como assessor de comunicação.

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